PORTO ALEGRE, RS (FOLHAPRESS) - A cidade de Cabedelo (PB), na região metropolitana de João Pessoa, teve o segundo prefeito afastado do cargo em quatro meses por suposta ligação com facções criminosas.

Edvaldo Neto (Avante) foi removido do cargo nesta terça-feira (14) em uma operação da Polícia Federal, dois dias após ser eleito em um pleito suplementar no domingo (12).

A reportagem tentou contato com Edvaldo ao telefonar e enviar email para a prefeitura na manhã desta terça-feira, mas não houve resposta.

Ele é um dos 13 alvos da Operação Cítrico, que apura supostas fraudes em licitações, desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e possível financiamento de uma facção criminosa.

O esquema incluiria a contratação fraudulenta de empresas fornecedoras de mão de obra vinculadas à facção criminosa Tropa do Amigão, braço do Comando Vermelho que atua na Paraíba. O valor envolvido nos contratos, diz a corporação, pode chegar a R$ 270 milhões.

Edvaldo era presidente da Câmara de Vereadores de Cabedelo e tomou posse como prefeito interino em dezembro, quando o Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba confirmou a cassação dos mandatos do prefeito André Coutinho (Avante) e da vice Camila Holanda (PP), acusados de compra de votos com ajuda de facções e de indicação de lideranças ligadas ao crime organizado para cargos na gestão pública. A cassação foi confirmada pelo TSE no dia 7 deste mês.

Nas eleições deste domingo, Edvaldo obteve 61,2% dos votos contra o concorrente Walber Virgolino (PL), que recebeu 38,8%, e ficaria no cargo até 2028.

Segundo a PF, a investigação apontou a existência de um "consórcio entre agentes políticos da alta cúpula do município, empresários e integrantes de organização criminosa, voltado à perpetuação de contratos milionários e à distribuição de vantagens ilícitas".

A prefeitura será assumida temporariamente pelo atual presidente da Câmara, José Pereira (Avante), aliado de Edvaldo.

Foram emitidos 21 mandados de busca e apreensão. Além de Edvaldo, outros servidores públicos foram afastados.

A Polícia Federal divulgou um vídeo que mostra notas de R$ 50, R$ 100 e R$ 200 guardadas em uma sacola, apreendidas em um dos endereços dos alvos da investigação, cuja identidade não foi revelada.

A operação foi deflagrada pela PF junto ao Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público da Paraíba e à Controladoria Geral da União.