SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um dos condenados pela morte da líder quilombola Mãe Bernadete foi morto nesta quinta-feira (16) após confronto com a Polícia Militar em Catu (BA).
Marílio dos Santos estava foragido pelo assassinato de Maria Bernadete Pacífico Moreira, 72. O homem, conhecido como "Maquinista", tinha um mandado de prisão em aberto e era apontado pela Secretaria de Segurança Pública como um dos suspeitos mais perigosos da Bahia.
Criminoso foi encontrado durante a madrugada na zona rural de Catu. Segundo o BOPE (Batalhão de Operações Policiais Especiais) da Polícia Militar, ele atirou nas ao ver as equipes, entrou em confronto com os agentes e foi baleado.
Ele foi socorrido, mas não resistiu. Com ele, foram apreendidos arma de fogo e munições, de acordo com a PM.
Homem havia sido condenado na terça-feira a 29 anos e 9 meses de prisão. Ele e Arielson da Conceição dos Santos, executores do crime, foram julgados na 1ª Vara do Tribunal do Júri da Comarca de Salvador durante dois dias.
O segundo réu foi sentenciado a 40 anos, 5 meses e 22 dias de prisão, além de multa. Eles respondiam por homicídio qualificado por motivo torpe, meio cruel, com impossibilidade de defesa e utilização de arma restrita.
A reportagem entrou em contato com a defesa de Marílio para comentar sua morte. Não houve retorno até o momento, mas o espaço segue aberto para manifestação.
Nesta quarta-feira (15), o advogado Fábio Felsembourgh havia dito que entraria com recurso contra a condenação de seu cliente. Segundo ele, a falta de unanimidade no júri demonstrava "completa dúvida" sobre autoria mediata de Marílio.
Já a defesa de Arielson disse que analisaria a fixação da pena. O advogado Tiago Santa Rosa informou que nota que estudaria o tempo de pena para que o condenado respondesse "na exata medida de sua conduta".
Outros três foram denunciados pelo assassinato e serão julgados em data ainda não marcada. São eles: Josevan Dionísio dos Santos, Sérgio Ferreira de Jesus e Ydney Carlos dos Santos de Jesus -sendo o último acusado de ser o mandante.
RELEMBRE O CRIME
Bernadete foi morta em 2023 com 25 tiros dentro de casa em Simões Filho. Homens armados invadiram a sede do Quilombo Pitanga dos Palmares, mantendo familiares reféns e matando a ialorixá.
Ela era uma voz ativa na defesa do território e na luta contra o racismo. A mulher também buscava por respostas pela morte de seu filho, Flávio Gabriel Pacífico dos Santos, conhecido como Binho do Quilombo, assassinado em 2017, por defender os mesmos propósitos da matriarca.
O assassinato da líder quilombola ocorreu mesmo depois de a vítima denunciar frequentes ameaças. Ela, inclusive, fazia parte do Programa de Proteção aos Defensores de Direitos Humanos, do Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania.
