SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A Justiça do Rio de Janeiro negou um pedido da defesa de Júlia Andrade Cathermol para a realização de uma nova perícia toxicológica no processo que apura a morte do empresário Luiz Marcelo Antônio Ormond,. Ele morreu em maio de 2024 após comer um doce conhecido como brigadeirão, supostamente envenenado.

A causa da morte da vítima havia sido determinada pela mistura de morfina e clonazepam. A denúncia aponta que as substâncias, identificadas no conteúdo do estômago do homem, foram inseridas propositalmente pela namorada Júlia no alimento servido a ele.

A defesa da acusada contestou a conclusão do laudo e sugeriu que o tadalafila, indicado para disfunção erétil, pode ter contribuído para a morte de Ormond. Segundo os advogados, o relatório estaria prejudicado porque o IML declarou não possuir metodologia para identificar o medicamento na amostro biológica do paciente.

Por isso, eles pediam a realização de novos exames. Na solicitação, indicaram ainda que pudessem ser feitos por outras instituições, como a UERJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro) ou a PF (Polícia Federal) para buscar essa medicação.

O IML, por sua vez, afastaram a possibilidade da tadalafila ter sido a causadora. À Justiça, o órgão reconheceu que o medicamento, ao interagir com a morfina pode gerar uma alteração na pressão arterial.

Apesar disso, reforçou que a mistura é clinicamente menos relevante para o risco de morte do que o que havia sido constatado anteriormente. Os peritos explicaram que a presença de morfina e clonazepam já é, por si só, uma associação amplamente reconhecida como perigosa e potencialmente letal, independentemente da identificação ou não de tadalafila.

Diante disso, além de negar o pedido, o TJ manteve a prisão preventiva da outra ré, Suyany Breschak. Justiça não aceitou a substituição por prisão domiciliar, argumentando que havia risco de fuga e necessidade de proteger as testemunhas. Citou ainda que o filho dela de 12 anos, usado como argumento pela defesa, tem outros cuidadores.

Ormond foi encontrado morto no dia 20 de maio de 2024. Vizinhos sentiram um cheiro forte vindo do apartamento e acionaram a polícia. Segundo laudo do IML (Instituto Médico Legal), o empresário morreu de três a seis dias antes de o corpo ser encontrado.

O empresário havia sido visto pela última vez em 17 de maio. Câmeras de segurança registraram o momento em que o homem e Júlia deixaram a piscina e entraram no elevador. As imagens mostram que ele segura um prato e ela, uma cerveja. Em determinado momento, eles se beijaram.

Suyany, era conselheira espiritual de Júlia, e é apontada como mandante do crime. Após ser presa, a mulher, que também teria ajudado Júlia a vender alguns bens da vítima, ainda acusou a suspeita de ser garota de programa e manter um relacionamento com outro homem.

Suyany nega ter mandado matar o empresário e diz que a intenção era apenas conseguir dinheiro. Ao programa Domingo Espetacular, a mulher se descreveu como uma "cigana analfabeta", que jamais seria capaz de manipular uma psicóloga formada. De acordo com ela, Júlia contou apenas que doparia o homem para conseguir senhas e acesso a seus bens.

Dupla agiu de forma calculada e fria, diz a denúncia. Júlia ficou no apartamento com o corpo de Luiz Marcelo por dias. Câmeras de segurança mostram que ela chegou a sair de casa para ir à academia após o crime.