SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Por meio do Programa Pode Entrar, a Prefeitura de São Paulo entregou no fim de março 968 apartamentos dos residenciais Bauru e Lajeado, em Guaianases, na zona leste. Foi a maior entrega simultânea de moradias da cidade, segundo a gestão municipal. As unidades foram destinadas a famílias de baixa renda, muitas vindas de áreas de risco e que aguardavam por uma solução habitacional.
Apesar da conquista da casa própria para novas famílias, moradores da região relatam preocupações com a infraestrutura local, especialmente em relação ao transporte público. Segundo eles, a demanda já é alta e tende a crescer com a chegada dos novos residentes.
A entrega foi conduzida pela Secretaria Municipal de Habitação (Sehab) e pela Companhia Metropolitana de Habitação de São Paulo (Cohab). Do total de unidades, 190 foram destinadas a famílias indicadas pela Cohab, enquanto outras 778 atendem beneficiários que recebiam auxílio-aluguel após remoções em áreas como Jardim São Francisco, Várzea do Tietê e comunidades da região.
Uma das principais queixas envolve a linha 2004-10, que liga o Jardim Nossa Senhora do Caminho à estação Guaianases da CPTM. Operada por micro-ônibus, os passageiros dizem que a linha apresenta falhas, com poucos veículos em circulação e registros frequentes de problemas mecânicos.
A moradora Sabrina Lopes reclama que o sistema atual não comporta o aumento da população. "Diante do aumento no fluxo, é evidente que apenas essa linha não será suficiente", disse. Ela também critica a demora no atendimento: "Em horários de pico, a espera chega a pelo menos uma hora e meia, o que é totalmente inaceitável".
Sabrina também afirma que promessas de melhorias nunca saíram do papel. "Já ouvimos falar em aumento da frota e até em uma nova linha, mas nada foi feito até agora", disse.
Em nota, a Secretaria Municipal de Mobilidade Urbana e Transporte (SMT) e a SPTrans informaram que o serviço de ônibus na cidade é planejado de acordo com a demanda de cada linha e que o sistema é fiscalizado e monitorado diariamente para ajustes operacionais.
Sobre a região de Lajeado, os órgãos afirmam que há acompanhamento constante e que podem ser feitas adequações caso seja identificada necessidade.
Moradores antigos da região relatam que a situação não é recente. Uma moradora, que prefere não ser identificada e que vive no bairro há 26 anos, afirma que o problema se agrava nos horários de pico. Ela diz que pela manhã o ônibus vem lotado e às vezes nem para. É preciso esperar três ou quatro veículos para conseguir entrar, afirma.
De acordo com a SPTrans, atualmente são ofertados cerca de 18,5 mil lugares por dia nas linhas que atendem o bairro, enquanto a demanda registrada é de aproximadamente 7,5 mil passageiros diários.
Em relação à linha 2004-10, o órgão informou que a empresa Transunião foi multada por descumprimento de viagens programadas e notificada para regularizar a operação conforme a programação estabelecida.
A Folha de S.Paulo mostrou nesta semana que foram registradas 48.518 reclamações de usuários sobre ônibus municipais em 2025, incluindo solicitações abertas, canceladas e finalizadas por meio do Portal SP 156, canal da prefeitura. A liderança nas queixas é da linha 971D-10, que vai do Jardim Damasceno ao Shopping Center Norte, na região da Vila Guilherme, zona norte.
No ano passado, o descumprimento de viagens programadas foi a principal causa de autuações às concessionárias, com 252.676 multas. O número é mais de 20 vezes maior que o segundo colocado: veículos com letreiro ou painéis informativos ausentes ou incorretos, que gerou 12.465 multas.
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