SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A morte da guarda-civil Sara Andrade dos Reis, 34, na manhã de domingo (19), em um latrocínio na alça de acesso da rodovia dos Imigrantes para o viaduto Matheus Torloni, na Água Funda, zona sul de São Paulo, fez com que a GCM (Guarda Civil Metropolitana) mobilizasse equipes e veículos para favelas da região do Jabaquara e da Vila Santa Catarina.
A GCM chama a ação, que já dura quase uma semana, de saturação, com o objetivo de obter informações sobre suspeitos pela morte e para localizar a arma roubada depois do crime, uma vez que apenas o coldre estava ao lado do corpo. A incursão, com armas longas, ocorre em vielas e becos, municiadas principalmente por denúncias anônimas.
Unidades como o Romu (Ronda Ostensiva Municipal) -a Rota da prefeitura, criada por Paulo Maluf nos anos 1990 e reeditada por Ricardo Nunes (MDB) neste ano-, além do Iate (Inspetoria de Ações Táticas Especiais), canil e da Iamo (Inspetoria com Apoio de Motocicletas), foram remanejadas para a zona sul, expediente semelhante ao adotado pela Polícia Militar em casos de violência contra integrantes da corporação.
Desde o assassinato de Sara, guardas têm passado nas favelas Alba, Vila Clara e Imprensa, todas no Jabaquara e na Vila Santa Catarina, localizadas a curta distância do ponto onde a mulher foi baleada e morreu. Ela teve a arma e o celular levados pelos suspeitos, dois indivíduos que fugiram em uma motocicleta.
Moradores da região confirmaram um maior número de equipes da GCM e da PM na área. A reportagem apurou, com fontes na Polícia Militar, que denúncias sobre suspeitos foram recebidas, mas nenhuma se confirmou, mas que o reforço no patrulhamento segue na região.
Das três comunidades mencionadas, a favela Alba é a que concentra a maior atenção das ações. Procurada, a gestão Ricardo Nunes confirmou uma incursão nesta sexta-feira (24) na favela Alba com foco na repressão de crimes e no combate ao tráfico de drogas. "Durante a ação, um indivíduo foi conduzido ao 35º Distrito Policial para averiguação."
O Ministério Público de São Paulo foi questionado sobre dois pontos: se acompanhava a ação específica da GCM e se a guarda pode realizar patrulhamentos e incursões em favelas em busca de suspeitos. Em nota, a Promotoria afirmou apenas que "que as ações implementadas pelas guardas civis estão no escopo de atuação da instituição, responsável pelo controle externo da atividade policial".
Para o consultor sênior do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, se a saturação for no sentido de ampliar o policiamento preventivo em uma região após um caso de violência letal não é uma iniciativa ruim, a princípio, se for bem feita. "Passa uma mensagem ao crime de que atos de violência letal não serão tolerados."
"O problema é quando isto está desacompanhado de investigação, que é o principal gargalo da perpetuação do crime de roubo com arma de fogo em altos patamares no país, e se esta operação for feita para esculachar morador ou praticar violações, como foi o histórico da operação Escudo. Ou seja, saturação e operação vingança, são coisas bem diferentes", acrescentou Langeani.
Sara, que morava em Diadema, no ABC paulista, e seguia para uma base no Jabaquara, onde trabalhava, estava em uma motocicleta. A Honda ADV 150 dela permaneceu ao lado do corpo. Ela estava há três anos na GCM. Naquela mesma data, cerca de três horas após a morte de Sara, Luciano Teixeira dos Santos, 46, também foi vítima de latrocínio em Moema, área nobre da zona sul. O suspeito fugiu.
Diferentemente da PM, que adota nomes para suas operações, como Escudo, deflagrada após a morte do soldado da Rota Patrick Bastos Reis, 30, em julho de 2023, no Guarujá, na Baixada Santista, e a mais recente Operação Impacto-Pronta Resposta, no caso do cabo Fabrício Gomes de Santana, 40, sequestrado no Jardim Horizonte Azul, no extremo da zona sul, a GCM não nomeou a operação.
