SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O professor universitário de 46 anos localizado por policiais militares em uma rodovia em Matão, no interior de São Paulo, na terça-feira (21), após cinco anos sem contato com a família, tinha o hábito de caminhar longas distâncias, mas sempre retornava para casa após as andanças.

A informação consta no boletim de ocorrência obtido pela Folha, registrado em uma delegacia de Osasco, na Grande São Paulo, seis meses após o desaparecimento, ocorrido em outubro de 2020.

Segundo o documento, o homem -cujo nome a família pediu para não ser divulgado -morava sozinho à época. O relato foi feito pela mãe do professor, que disse tê-lo procurado em diversos locais, sem sucesso.

Ela contou aos investigadores que o filho costumava percorrer grandes distâncias a pé --chegou a ir a praias do litoral sul de São Paulo caminhando-, mas sempre voltava para casa. Durante os passeios, o professor era acompanhado por um cão de grande porte da raça Weimaraner.

Às vésperas de completar cinco anos do registro do boletim, policiais avistaram um homem caminhando sem destino na pista, em situação de risco, às margens da rodovia Washington Luís (SP-310), no trecho de Taquaritinga, interior de São Paulo. Era início da tarde. A Polícia Militar informou que foi acionado o protocolo Amigos do Trecho, que orienta a abordagem preventiva de pedestres para evitar atropelamentos nas vias.

Durante a conversa, o homem disse ser professor universitário e relatou ter enfrentado problemas psicológicos, período em que perdeu contato com a família.

O serviço de inteligência da Polícia Militar Rodoviária foi acionado para localizar os parentes. Após identificá-los, os agentes os comunicaram por telefone sobre o paradeiro do desaparecido. O reencontro aconteceu na base rodoviária de Araraquara a 270 km de Osasco, onde a família reside.