SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Hezbollah, grupo extremista libanês, afirmou nesta segunda-feira (27) ao site de notícias Al Jazeera que adotará "operações suicidas" em vilas no Líbano contra o Exército de Israel.

Segundo o grupo, a ideia é "retomar as táticas da década de 1980". A informação foi repassada por um líder militar da organização, que preferiu não se identificar.

A proposta é que esquadrões suicidas se posicionem em territórios libaneses com ocupação israelense. De acordo com a fonte, acredita-se que isso impedirá que Israel estabeleça uma "posição de apoio" no sul do Líbano.

Missão dos homens-bomba será atacar "oficiais e soldados inimigos" nas aldeias ocupadas. "Grandes grupos de homens-bomba serão mobilizados no território ocupado de acordo com planos pré-elaborados", explicou o homem.

Ataques de Israel no sul do Líbano mataram 14 pessoas ontem, apesar do cessar-fogo. O Ministério da Saúde do Líbano confirmou ainda que 37 ficaram feridos. Entre os mortos estão duas mulheres e duas crianças, vítimas de ataques em várias regiões do sul do país.

Israel ordenou a saída de moradores de sete cidades libanesas. O exército israelense pediu que os civis deixassem áreas ao norte do rio Litani e afirmou ter atacado combatentes, lançadores de foguetes e um depósito de armas do Hezbollah.

O Hezbollah, por sua vez, atacou tropas israelenses dentro do Líbano. O grupo também atingiu a equipe de resgate enviada para o local. Israel confirmou a morte de um soldado e o ferimento de outros seis na ação.

O primeiro-ministro de Israel acusou o Hezbollah de destruir o acordo. "As violações do Hezbollah estão, na prática, desmontando o cessar-fogo", disse Benjamin Netanyahu. Ele afirmou que Israel age de acordo com as regras combinadas com os Estados Unidos.

O Hezbollah prometeu manter os ataques a tropas israelenses. O grupo afirmou que não vai parar enquanto Israel continuar violando o cessar-fogo e destacou que não vai esperar por uma diplomacia que "se provou ineficaz".

O acordo de paz começou em 16 de abril e vai até meados de maio. Mediado pelos Estados Unidos, o cessar-fogo reduziu as hostilidades, mas os dois lados continuam trocando tiros e acusações.

A guerra atual começou em 2 de março. O Hezbollah disparou foguetes contra Israel para vingar a morte do líder supremo do Irã, Ali Khamenei. Desde então, mais de 2.500 pessoas morreram no Líbano.