SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Um fenômeno essencial para a vida marinha falhou pela primeira vez em 40 anos e tem gerado preocupação no Panamá.
Um processo oceânico conhecido como ressurgência sempre foi comum no Golfo do Panamá, na América Central, especialmente durante o verão. Ele acontece quando ventos fortes empurram a água quente da superfície para longe, permitindo que a água fria das profundezas suba.
Essa água profunda é rica em nutrientes acumulados, como nitratos e fosfatos, que favorecem a biodiversidade marinha, especialmente o fitoplâncton. O sistema é fundamental para aumentar a quantidade de peixes e manter o equilíbrio do ecossistema.
No entanto, de acordo com uma pesquisa do Instituto Smithsonian de Pesquisas Tropicais (STRI), esse fenômeno falhou no ano passado. Cientistas que monitoram a ressurgência no local há quatro décadas observaram que o processo não ocorreu como esperado.
Segundo o estudo, os ventos estavam mais fracos do que o normal no período, possivelmente devido às mudanças climáticas. Como consequência, a água quente não se deslocou o suficiente e a água fria não subiu.
Isso resultou em uma queda na produtividade do oceano. A redução de nutrientes diminuiu a disponibilidade de alimento para os peixes, afetando a cadeia alimentar e gerando prejuízos econômicos para as comunidades pesqueiras da região.
Embora ainda sejam necessárias mais análises, os especialistas alertam para a vulnerabilidade dos sistemas de ressurgência em regiões tropicais. Além disso, é necessário aprimorar o monitoramento e a previsão do clima oceânico, diante do risco de que esse tipo de falha se torne mais frequente no futuro.
