SANTA MARTA, COLÔMBIA (FOLHAPRESS) - A primeira conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis ainda não terminou, mas o próximo destino do novo encontro climático está desenhado. A pequena e ameaçada nação insular de Tuvalu deve receber o evento em 2027 e a Irlanda negocia para ocupar a co-presidência.

Maina Vakafua Talia, ministro de Assuntos Internos, Mudanças Climáticas e Meio Ambiente, confirmou à Folha de S.Paulo a informação.

O encontro atual ocorre, desde a semana passada, em Santa Marta, na Colômbia, em parceria com os Países Baixos. Trata-se do primeiro evento internacional a reunir países que buscam abandonar os combustíveis fósseis.

A conferência tenta se diferenciar das tradicionais cúpulas climáticas da ONU (as COPs) ao buscar afastar a interferência e o lobby do petróleo do centro da discussão. As COPs têm sofrido críticas exatamente por isso. Há nesses encontros da ONU países já conhecidos por travar as negociações quando o assunto chega em obrigações relacionadas a combustíveis fósseis -a maior causa da crise climática atual.

Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia, que tem liderado a conferência em Santa Marta, afirmou publicamente que países não dispostos a cooperar com o abandono da energia fóssil não foram convidados para o encontro. Entre eles, estão grandes poluidores, como EUA, Rússia e China.

Apesar disso, a conferência atual reúne tanto países importadores de energias fósseis como produtores, como a própria Colômbia --Santa Marta, inclusive, apesar de um destino turístico no caribe colombiano, é um grande porto de carvão.

O próximo destino da conferência pode, então, ser significativo do ponto de vista de mudanças climáticas e combustíveis fósseis.

Tuvalu é uma pequena ilha no Pacífico extremamente ameaçada pela crise do clima causada pela energia fóssil. O aumento do nível do mar ameaça a existência do país, que pode desaparecer em algumas décadas.

Já há, inclusive, migrantes climáticos provenientes de Tuvalu. Mais de 80% da população do país (cerca de 11 mil habitantes) já solicitou visto climático para ir para a Austrália.

A próxima conferência pelo abandono dos combustíveis fósseis também se aproxima -pelo menos metaforicamente- da próxima conferência climática da ONU.

A COP31 será co-presidida por Austrália, um dos maiores exportadores mundiais de carvão, e Turquia. Porém, o encontro da ONU ocorrerá na cidade litorânea turca de Antália, enquanto a chefia das negociações ficará com os australianos.