BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - O governador de Minas Gerais, Mateus Simões (PSD), exonerou na última segunda-feira (27) o secretário de Educação do estado, Rossieli Soares. A gestão comunicou na tarde desta terça (28) que ele foi exonerado após informações preliminares de investigação conduzida pela Controladoria-Geral do Estado encaminhadas às autoridades.
A decisão foi recebida com surpresa por pessoas ligadas à pasta. Rossieli assumiu o cargo em agosto do ano passado, ainda na gestão de Romeu Zema (Novo), que deixou o posto em março para a disputa presidencial.,
O ex-secretário afirmou, em nota, que não teve acesso às informações sobre a investigação da controladoria e que, quando for notificado, se manifestará por meio de advogado.
"Durante sua gestão, não compactuou com práticas que não estivessem em conformidade com os princípios da legalidade, da transparência e da boa gestão pública", disse a assessoria de Rossieli.
Inicialmente, o motivo da exoneração não havia sido informado pelo Governo de Minas.
Após nota da assessoria de Rossieli afirmar em um primeiro momento que a saída havia acontecido em comum acordo, a gestão estadual negou a manifestação e citou a apuração da controladoria. O teor da investigação não foi revelado.
A nota anterior da equipe do ex-secretário justificou a saída para que ele pudesse se dedicar à recuperação de um procedimento cirúrgico feito em fevereiro, além de priorizar o convívio com a família e se preparar para novos projetos profissionais.
Rossieli havia assumido a função dois meses após ter deixado o mesmo posto no Pará, cargo no qual estava desde 2023.
Ele também foi secretário da Educação dos estados de São Paulo (2019-2022) e Amazonas (2012-2016), além de ter sido ministro da mesma pasta no governo Michel Temer (2018).
A gestão de Rossieli em Minas acumulou polêmicas. Ele encampou a estratégia do governo de ampliar as escolas cívico-militares no estado, barrada pelo TCE (Tribunal de Contas do Estado).
Durante sua gestão, foi realizado o leilão para manutenção, por uma empresa privada, da infraestrutura de 95 escolas. Ele também foi alvo de denúncia ao Ministério Público, apresentada por membros da oposição, por uma compra sem licitação de R$ 348 milhões em materiais didáticos.
Na ocasião, o Governo de Minas afirmou que a contratação foi feita por pregão eletrônico, modalidade prevista em lei, e que gerou desconto de 57% sobre o preço de capa das obras.
Em novembro, uma aula de inteligência artificial promovida pela gestão para alunos da rede estadual foi interrompida após uma briga generalizada no estádio Mineirão.
O governo anunciou o nome de Gustavo Braga para substituir Rossieli. Servidor de carreira, ele era chefe de gabinete na Secretaria de Governo e já ocupou outros cargos na pasta de Educação.
