SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O filho de um bilionário indiano se ofereceu para acolher 80 hipopótamos descendentes dos espécimes que foram introduzidos na Colômbia por Pablo Escobar. A medida seria uma forma de evitar que os animais sejam sacrificados, como planejam as autoridades do país.
Anant Ambani, filho do magnata Mukesh Ambani, pediu formalmente ao governo colombiano que suspenda a decisão de sacrificar os animais, que provocam estragos nos ecossistemas do país.
Neste mês, o governo anunciou que pretende esterilizar uma parte dos animais e sacrificar outra. O processo deve ser iniciado no segundo semestre deste ano. O abate de cada animal é estimado em US$ 14 mil (R$ 69,8 mil).
Cada esterilização pode custar até US$ 10 mil (R$ 49,8 mil). O procedimento é considerado de risco para os veterinários e também aos animais, que podem morrer devido a uma reação alérgica à anestesia.
Ambani propôs que seja autorizada uma "realocação segura e cientificamente orientada, que levaria os 80 animais a um lar permanente" em seu zoológico Vantara, no estado de Gujarate, noroeste da Índia.
O local é apresentado como "um dos maiores centros de resgate, cuidado e conservação de fauna silvestre do mundo". Porém, especialistas têm alertado para o grande número de animais acolhidos em Vantara, incluindo espécies raras e em perigo crítico de extinção.
Escobar importou quatro hipopótamos para a Colômbia na década de 1980. Após a morte do narcotraficante, em 1993, os animais conseguiram escapar do local onde eram mantidos em cativeiro. Eles se estabeleceram, então, nas margens do rio Magdalena, onde chegaram a atacar pescadores.
Hoje, o país abriga cerca de 200 hipopótamos perto do rio. Se medidas de controle não forem adotadas, a população pode aumentar para até mil indivíduos até 2035, segundo Irene Vélez-Torres, ministra do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Colômbia.
"Precisamos agir para reduzir a população de hipopótamos. Essas ações são essenciais para proteger nossos ecossistemas e espécies nativas", afirmou Vélez-Torres, observando que o crescimento populacional ameaça espécies como tartarugas e peixes-boi, além de causar poluição da água.
O programa tem um orçamento de quase US$ 2 milhões (R$ 10 milhões) e inclui medidas como confinamento e realocação.
Embora a Colômbia tenha iniciado conversas há meses com oito governos, entre os quais México, Equador, Peru e África do Sul, para possivelmente transferir alguns animais para zoológicos ou santuários nesses países, as autorizações necessárias para o processo não haviam sido obtidas até o último dia 13, de acordo com Vélez-Torres.
Segundo a ministra, a tentativa de realocar alguns deles a outros países fracassou devido a malformações apresentadas pelos animais. "Há uma mutação genética importante, por isso alguns países se recusam [a aceitá-los]", disse ela, atribuindo o fenômeno à endogamia. "Acreditamos que tem a ver com a pobreza genética [dos espécimes]".
