SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - Glauce Anselmo Cavalli, coronel da Polícia Militar de São Paulo, tomou posse nesta quarta-feira (29) para o comando-geral da corporação e disse que sua prioridade será o enfrentamento da violência doméstica no estado. Pela primeira vez em quase dois séculos de existência, órgão será chefiado por uma mulher.
A agente já estava no cargo e em atuação desde a nomeação pelo governador Tarcísio de Freitas (Repulicanos), mas tomou posse formalmente nesta manhã. A cerimônia começou às 10h e acontece na Academia do Barro Branco, em Água Fria (SP), com a presença de Tarcísio.
Glauce sucederá o coronel José Augusto Coutinho, que estava à frente da instituição desde maio de 2025. O novo subcomandante da corporação será o coronel Mário Kitsuwa, atual comandante do Comando de Policiamento Metropolitano Nove.
Segundo ela, sua posse não é uma conquista pessoal, mas de todas as homólogas mulheres que vieram antes. "Parabéns policiais femininas pela construção de uma polícia mais representativa, mais justa para servir a sociedade paulista", falou durante discurso.
Glauce pretende reforçar medidas de proteção a mulheres já existentes. Comandante diz que consolidará a Cabine Lilás, ampliará atendimentos por videochamadas e abrirá os quarteis da PM para acolher as vítimas de violência. Além disso, deve contar com o aplicativo Mulher Segura e com o monitoramento de agressores por tornozeleira.
"Que essa conquista história nãoo represente um ponto de chegada, mas um marco de avanço. Uma portunidade permanente de uma contribuição conjunta, independente do gênero, credo, etnia", disse Glauce Anselmo Cavalli.
QUEM É A NOVA COMANDANTE
A oficial é mestre e doutora em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública. É graduada em Direito pela Universidade Cruzeiro do Sul e em Educação Física pela Escola de Educação Física da PM.
Antes da nomeação, Glauce ocupava a Diretoria de Logística da corporação. Ao longo da carreira, também comandou o CPA/M-2, responsável por uma das regiões mais populosas da capital paulista, além de ter chefiado a Coordenadoria de Assuntos Jurídicos do Comando-Geral e o Centro de Comunicação Social da Polícia Militar.
PRIMEIRA MULHER SERVIRÁ COMO MODELO, DIZ ESPECIALISTA
A nomeação da coronel foi vista "com excelentes olhos" por Rafael Alcadipani, professor da FGV. Para o especialista em segurança pública, a escolha abre um marco simbólico numa instituição marcada por valores masculinos, mas também coloca na mesa desafios práticos, como reduzir a letalidade policial e mudar a cultura interna da corporação.
Alcadipani disse que a nova comandante deve enfrentar resistências internas. Apesar disso, avaliou que a chegada dela pode funcionar como "modelo" para outras mulheres dentro e fora da polícia.
"O segundo aspecto é que ela está lá não pelo fato de ser mulher, mas pelo fato da sua competência. Ela é reconhecida em todos os lugares que ela passou na Polícia Militar por ter feito um trabalho muito sério, muito competente, muito decidido", disse Rafael Alcadipani.
Escolha pode ajudar a enfrentar problema de imagem em um cenário de aumento de mulheres sendo mortas. "Você nomear uma mulher no momento em que você tem um problema de imagem da segurança pública e no momento em que a gente vê uma explosão de feminicídios em São Paulo, é claro que existe uma dimensão simbólica."
