SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A destruição das florestas tropicais do mundo diminuiu em 2025, mas continua em níveis preocupantes, segundo um relatório divulgado nesta quarta-feira (29).

As regiões tropicais perderam no ano passado 4,3 milhões de hectares de mata virgem, uma área equivalente à da Dinamarca, segundo o Global Forest Watch, observatório do grupo americano World Resources Institute (WRI) e da Universidade de Maryland (EUA).

Isso representa uma queda de 36% em relação a 2024, quando a destruição dessas florestas, essenciais para a biodiversidade, o abastecimento de água e o armazenamento de carbono, atingiu um recorde, com o desaparecimento de 6,7 milhões de hectares.

"É encorajador, quando o problema parece enorme, que haja intervenções reais que funcionam e podemos ver isso nos dados", afirmou Elizabeth Goldman, codiretora do Global Forest Watch.

A desaceleração ocorre em parte devido aos esforços do Brasil para conter o desmatamento, conforme prometido pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quando assumiu o cargo em 2023.

Ainda assim, segundo Goldman, os países estão desmatando 70% a mais do que deveriam para cumprir o compromisso global assinado por quase todas as nações em 2023 de interromper e reverter a perda de florestas até 2030.

"Atingir essa meta nos próximos anos não será fácil", afirmou ela.

O equivalente a 11 campos de futebol de matas nativas desaparece no mundo a cada minuto, segundo o relatório. E as perdas de florestas tropicais continuam 46% mais altas do que há dez anos.

EXPANSÃO AGRÍCOLA

A expansão agrícola continuou a ser o maior fator de perda de florestas no mundo, impulsionada por commodities agrícolas em países como Brasil, Bolívia e Indonésia, e pela agricultura de subsistência em lugares como a República Democrática do Congo.

Uma política de longa data segue limitando a perda de florestas primárias na Malásia e na Indonésia, onde as plantações de óleo de palma historicamente pressionaram os biomas.

Mas a iniciativa do presidente Prabowo Subianto de expandir um programa de alimentos, que visa tornar o país autossuficiente, contribuiu para o aumento do desmatamento na Indonésia no ano passado.

Grupos ambientalistas alertaram que o fim de um acordo de todo o setor para impedir a compra de soja de fazendas recentemente desmatadas na floresta amazônica terá um impacto semelhante no Brasil nos próximos anos.

INCÊNDIOS

A perda global de florestas, incluindo ecossistemas fora dos trópicos, caiu 14% no ano passado. Mas as evidências de que a mudança climática está aumentando a pressão sobre as árvores do mundo continuaram a se acumular.

A expansão agrícola continua sendo o principal fator de destruição, mas a proporção de incêndios também desempenhou um papel importante em 2025 (42% das perdas globais), especialmente nas regiões boreais.

Os incêndios podem ter origem natural, mas na maioria das vezes são causados pelas pessoas.

A tendência é mais visível no Canadá, que teve a segunda pior temporada de incêndios já registrada no ano passado.

A quantidade de floresta boreal queimada nos últimos três anos foi cerca de cinco vezes maior do que a média registrada nos últimos 20 anos. Nos trópicos, onde a ignição do fogo é geralmente humana, as folhas mais secas continuaram a transformar o que antes eram pequenas queimadas em incêndios de grandes proporções.

Rod Taylor, diretor global de florestas do WRI, disse que, embora as florestas continuem a ser poderosos sumidouros de carbono, ajudando a desacelerar a mudança climática, os incêndios e as secas em um planeta em aquecimento estão transformando cada vez mais esses ecossistemas em fontes de emissão de gases de efeito estufa.

"Estamos em uma espécie de fio da navalha", acrescentou.