BELO HORIZONTE, MG (FOLHAPRESS) - A Prefeitura de Belo Horizonte recebeu, na última segunda-feira (27), autorização do governo federal para implantar a primeira motofaixa da cidade.

Com 16 km de extensão nos dois sentidos, o município espera que a faixa azul melhore a segurança viária da cidade, que registrou no ano passado recordes de acidentes e mortes envolvendo motocicletas.

O trecho escolhido fica na Via Expressa e vai do viaduto Itamar Franco até a avenida Babita Camargos, na divisa com o município de Contagem.

A velocidade máxima na via é de 60 km/h, e a motofaixa terá cerca de 1,5 metro de largura. As quatro faixas por sentido serão mantidas.

As obras de sinalização da faixa azul devem durar oito semanas, segundo a gestão municipal.

A autorização da Secretaria Nacional de Trânsito (Senatran) é necessária porque o CTB (Código de Trânsito Brasileiro) não prevê esse tipo de faixa.

O prefeito Álvaro Damião (União Brasil) disse que as tratativas entre a prefeitura e o governo federal duraram cerca de um ano.

O governo Lula (PT) estuda uma regulamentação para permitir que municípios implantem a sinalização sem aval da União.

Os acidentes com motocicletas na capital mais do que dobraram na última década e atingiram 21.139 sinistros no ano passado. Mais da metade deles teve vítimas.

Em 2025, 103 pessoas morreram em acidentes com moto nas vias da cidade. É o maior número da série histórica do Observatório de Segurança Pública do Governo de Minas, com dados desde 2015, ano em que foram registradas 69 mortes.

O avanço acompanha o aumento da frota, que chegou a 312.527 motocicletas no ano passado, uma alta de 49% em relação a 2015, segundo a Senatran.

Na capital paulista, a motofaixa soma 232,7 km em 46 vias e virou uma bandeira do prefeito Ricardo Nunes (MDB).

Com 475 vítimas, o número de motociclistas mortos em acidentes em 2025 foi 18% maior que em 2023 (402 casos), primeiro ano após a implantação da faixa azul. Ainda assim, ficou abaixo de 2024, quando houve 481 mortes, o maior número desde o início da sinalização.

Um estudo apontou que motociclistas que usam a faixa azul trafegam, em média, a 72,2 km/h, acima dos limites de velocidade da cidade.

O documento afirma que ainda não é possível concluir se a motofaixa reduz mortes, por falta de evidências científicas.

A Prefeitura de São Paulo diz que, entre 2022 e dezembro de 2025, a velocidade média ficou em 49,5 km/h, dentro do limite.

Segundo a gestão, no período, houve queda nas mortes de motociclistas (de 29 para 22), nos acidentes com feridos (de 1.009 para 810) e nos atropelamentos com feridos (de 61 para 39).