SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Motociclistas trafegam acima da velocidade permitida na grande maioria das vias onde há faixas exclusivas para motos em São Paulo. Das 36 avenidas onde há a separação dos demais veículos, 28 registraram excesso de velocidade, segundo relatório da CET (Centro de Engenharia de Tráfego) divulgado nesta quinta-feira (30).
O estudo analisou o comportamento dos motoqueiros nas faixas exclusivas de janeiro de 2022 a dezembro de 2025. O programa criado para reduzir as mortes de motociclistas no trânsito de São Paulo foi iniciado em janeiro de 2022 na avenida 23 de Maio, corredor que liga o centro e a zona sul da cidade.
Questionada, a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) afirmou que implantou medidas contra o excesso de velocidade nas faixas exclusivas para motos, conhecidas como faixa azul, como sinalização do limite no pavimento, fiscalização com duplas de motos e uso de equipamentos eletrônicos. Foram instalados também painéis móveis com orientações, pontos fixos de operadores nos principais cruzamentos e campanhas educativas.
Cálculos apontaram que o elevado João Goulart, o Minhocão, na região central, e a avenida Eliseu de Almeida, no Butantã, na zona oeste, são as vias com os maiores índices de velocidade acima do permitido. Nos dois trechos, o máximo permitido é 50 km/h e o estudo apontou que quase a totalidade dos motoqueiros trafegou a 77,3 km/h e a 77,7 km/h, respectivamente.
Para chegar a esses números, foi usada a métrica da velocidade operacional, comum na engenharia de tráfego, referente à velocidade adotada por 85% dos motociclistas em cada via. O cálculo é feito a partir das amostras de velocidade coletadas em cada trecho, organizadas em ordem crescente.
Segundo o relatório, a velocidade operacional é a forma mais precisa de retratar o comportamento real dos motociclistas do que a velocidade média, por representar a velocidade de maior conforto para a grande maioria dos usuários em condições de "comportamento livre".
Pela velocidade média, por exemplo, houve desrespeito aos limites previstos na legislação de trânsito em 12 das 36 vias monitoradas, com redução média de 5,5% na velocidade, caindo de 54 km/h para 51 km/h em 22 vias analisadas.
Segundo o relatório, desrespeito às leis de trânsito ocorreu com mais frequência em trechos distantes de radares, onde cerca de 68,2% dos motociclistas excederam o limite na faixa exclusiva; 27,6% fizeram o mesmo em pontos próximos à fiscalização eletrônica.
Em relação às mortes no trânsito, a implementação da faixa azul na cidade teve relevância significativa, segundo o relatório. Nos trechos onde a faixa foi implantada, o aumento de mortes de motociclistas foi de 17,5% -de 57 para 67 casos, de 2022 a 2025. O índice é inferior à alta de 66,5% registrada na cidade no mesmo período considerando motociclistas.
O risco de um sinistro grave ou fatal fora da faixa azul é 9,5 vezes maior do que dentro dela, segundo os dados oficiais.
A relação entre motos e carros no trânsito de São Paulo também foi beneficiada pelas faixas exclusivas. O relatório mostrou que 74,7% dos motoristas entrevistados afirmam que melhorou a visibilidade das motos ao mudarem de faixa.
Em dez anos, motociclistas passaram de 32% para 47% das mortes no trânsito segundo levantamento feito pela Folha com base em números de acidentes fatais do Detran-SP (Departamento Estadual de Trânsito de São Paulo) de janeiro de 2015 a junho de 2025.
Vias com média de velocidade acima da permitida*
Rua Santa Eulália
64,7 km/h
regulamentada 40 km/h
Av. Santos Dumont
72,5 km/h
regulamentada 50 km/h
Elevado João Goulart
77,3 km/h
regulamentada 50 km/h
Av. Eliseu de Almeida
77,7 km/h
regulamentada 50 km/h
*Velocidade operacional de motoqueiros na Faixa Azul, segundo 2º Relatório Consolidado Final do projeto experimental Faixa Azul, elaborado pela Companhia de Engenharia de Tráfego (CET)
Velociodade operacional é a velocidade dentro da qual 85% dos condutores trafegam
