SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O número de pessoas mortas por policiais militares em serviço cresceu 17% na cidade de São Paulo no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período de 2025.
De janeiro a março foram contabilizados 54 homicídios cometidos por PMs ante 46 em semelhante período do ano anterior. O número, no entanto, é menor do que o observado no último trimestre de 2025, quando 64 pessoas haviam sido mortas por PMs na cidade.
No estado, a alta no número de homicídios foi de 3%, com quatro casos a mais -de 131 para 135 óbitos no trimestre. A letalidade observada neste início de ano é bem inferior aos 242 mortos no último trimestre de 2025, algo inédito para qualquer trimestre desde 1996.
Por outro lado, quando considerados os policiais militares de folga, o número de mortos por agentes caiu pela metade na capital paulista, passando de 16 para 8 casos. Já no estado houve três mortes a mais cometidas por PMs de folga, de 27 para 30.
No mesmo período, houve queda no registro de crimes como homicídios dolosos (com intenção), latrocínio, roubos e furtos na cidade e no estado.
Em nota, a Secretaria da Segurança Pública disse que "a atual gestão no estado de São Paulo intensificou o enfrentamento à criminalidade violenta e organizada, com a realização de operações de alta complexidade e risco, o que influencia diretamente o tipo de ocorrência enfrentada pelas equipes".
De acordo com o posicionamento, em decorrência das ações permanentes contra o tráfico, as organizações criminosas e o porte ilegal de armas, no primeiro trimestre de 2026 São Paulo registrou os menores índices de homicídios, latrocínios e roubos em geral dos últimos 26 anos. "Somente nos três primeiros meses do ano, 55,4 mil criminosos foram presos ou apreendidos e 3.100 armas de fogo foram apreendidas em decorrência".
A pasta afirmou manter ações contínuas para reduzir a letalidade e responsabilizar desvios de conduta e investiga com rigor, por meio das polícias Civil e Militar, todas as ocorrências com mortes decorrentes de intervenção policial. "As corregedorias das instituições, o Ministério Público e o Poder Judiciário acompanham todos os casos. Desde 2023, mais de 1.300 agentes foram presos, demitidos ou expulsos das corporações".
A gestão Tarcísio ainda acrescentou que espera ampliar para 15 mil o total de câmeras corporais, atualmente na casa de 10 mil.
Entre as mortes cometidas por policiais militares em serviço na capital estão a de dois homens no âmbito da violência familiar, com esposas reféns. Um dos casos ocorreu em 20 de janeiro na Cidade Dutra, na zona sul. O homem foi atingido por um atirador de elite após balear a ex-companheira e mãe dela, que morreu. No dia 30 daquele mês um homem que fez a ex-namorada refém na região de Cidade Tiradentes, na zona leste, também foi morto em ação da Polícia Militar.
Paralelamente ao aumento da letalidade, Tarcísio mudou o comando da Polícia Militar. A coronel Glauce Anselmo Cavalli, a primeira mulher a assumir o posto em 194 anos de corporação, substituiu o coronel José Augusto Coutinho, à frente da PM desde maio de 2025.
Em seu discurso de posse, na quarta-feira (29), na Academia do Barro Branco, na zona norte da capital -cerimônia com a presença do governador-, ela destacou o combate à violência doméstica como prioridade de seu comando.
