SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Viralizado na internet na última semana, o "golpe da mostarda" é uma modalidade de furto que tem sido aplicada no transporte público de São Paulo.
O esquema consiste em sujar a roupa da vítima para distraí-la, oferecer ajuda e se aproveitar do transtorno para levar seus pertences. A SSP (Secretaria da Segurança Pública) diz ter registrado duas ocorrências de furto de celular em transporte público com dinâmica semelhante nos dias 22 e 25 de abril.
A reportagem da Folha consultou especialistas e ouviu vítimas sobre dicas de segurança para não cair no golpe.
O momento crucial da ação é quando um dos integrantes do esquema avisa sobre a mancha. Imediatamente, o criminoso tenta ajudá-la à força a remover a sujeira. O momento de choque propicia que pertences sejam furtados sem que a vítima perceba que está sofrendo um golpe.
Guilherme Giaretta, 23, foi vítima do golpe da mostarda e gravou um vídeo relatando o ocorrido. "Nunca dê moral pra quem vier falar com você na rua. Nunca puxe assunto, se quiserem falar com você, não dê atenção. Nunca se sabe", ele recomenda, em entrevista à Folha.
"Não dê atenção pra ninguém. Se você está sujo e alguém vem te oferecer ajuda, infelizmente fale que não. Fala que você vai se virar sozinho. E isso em qualquer lugar, seja na rua, seja no ônibus."
Giaretta relata que é difícil pensar no momento de susto. "No meu caso, eu acabei dando atenção porque estava todo sujo", conta. "A gente pode acabar pensando que a pessoa está bem-intencionada, mas na realidade é outra coisa."
Rafael Alcadipani, professor de segurança pública da FGV de São Paulo e membro do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, recomenda que a atenção seja redobrada para evitar se tornar uma vítima em potencial do golpe.
Quanto aos pertences, uma dica é certificar que estejam localizados em pontos escondidos que dificultam o alcance do criminoso que venha tentar o furto.
"As pessoas devem estar sempre atentas. Ter certeza que seus pertences fiquem em lugar seguro, em bolsas muito bem fechadas e que estejam à frente do corpo", explica o professor.
A SSP orienta que, ao desconfiar de uma atitude suspeita, as vítimas acionem imediatamente a Polícia Militar pelo telefone 190, informando o máximo de detalhes possível, para que a viatura mais próxima possa se deslocar ao local e realizar a averiguação.
"É fundamental que as vítimas também formalizem o registro do boletim de ocorrência para que o caso seja devidamente investigado e os autores responsabilizados", diz a nota.
Em caso de furto, o registro do boletim de ocorrência é fundamental para realizar o bloqueio do aparelho celular via Imei (número de identificação) em qualquer delegacia da Polícia Civil.
Além do BO, o aplicativo Celular Seguro oferece uma solução de curtíssimo prazo e que deve ser a primeira ação após o furto. O serviço do governo federal permite aos cidadãos comunicar rapidamente a ocorrência e bloquear o telefone instantaneamente, a partir de um outro aparelho. O processo costuma demorar menos que dez minutos.
Quando acionado, ele desativa a linha telefônica, bloqueia as contas bancárias instaladas e bloqueia o Imei. Com o Imei bloqueado, o celular não pode mais se conectar a qualquer rede, tornando-se inutilizável mesmo com a troca do chip.
É recomendado se precaver e realizar um cadastro prévio no app, antes mesmo que um possível furto ocorra. Ainda assim, porém, o aplicativo permite bloqueios de linhas não cadastradas na base.
