SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A queda do avião de pequeno porte nesta tarde em Belo Horizonte está sob investigação da Polícia Civil e da Aeronáutica, por meio do Cenipa (Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos). As autoridades devem reunir elementos que apontem o que causou a aparente perda de potência do motor da aeronave, que fez com que ela planasse e colidisse com um prédio a seis quilômetros da pista de decolagem, no aeroporto da Pampulha. Duas pessoas morreram.
O estado do piloto, um dos mortos na colisão, o histórico de manutenção da aeronave e outros fatores contribuintes devem ser objeto de análise dos peritos.
Especialista em segurança de voo, Roberto Peterka diz que a perda de potência notada pode ter conexão com uma eventual contaminação do combustível, que pode afetar modelos de pequeno porte.
"Em princípio, pode-se imaginar que foi combustível contaminado. Como a água fica por baixo do combustível, na hora em que o avião acelera, o que entra no motor é água, ao invés de combustível", diz Peterka.
O procedimento padrão na checagem pré-decolagem inclui o dreno de água do tanque. Ela pode condensar na entrada do motor e ocasionar falhas como esta.
A drenagem de combustível é um procedimento padrão de segurança durante a inspeção pré-voo. O método busca verificar a qualidade do combustível e remover água ou impurezas que se acumulam no fundo dos tanques.
Além das causas mecânicas, Roberto atenta para a possibilidade de outros fatores que podem ter causado o acidente, como alguma outra falha decorrente da manutenção ou envolvendo as condições do piloto.
A delegada Andrea Pochman, da 1ª Delegacia de Polícia Civil da região Leste, afirmou que há indícios de problemas já na decolagem. "As informações que temos de uma testemunha é de que, no próprio aeroporto da Pampulha, a decolagem já não foi correta, que já estava perdendo altitude", disse.
A Polícia Civil informou também que o voo era de caráter particular e não operava como táxi aéreo. A aeronave havia sido adquirida recentemente e ainda passava por processo de transferência de propriedade.
Segundo a NAV Brasil, que responde pela torre de controle do aeroporto, foi declarada emergência (mayday) à Torre de Controle do aeroporto da Pampulha após a decolagem, em razão de dificuldades em manter a subida. "As equipes de emergência aeroportuária, incluindo o serviço de combate a incêndio, foram imediatamente acionados", afirmou.
Em nota, a administração do aeroporto da Pampulha confirmou que a aeronave PT-EYT decolou da pista do aeroporto às 12h16 desta segunda-feira (4). Tripulante e passageiros seguiam para São Paulo.
Para James Rojas Waterhouse, especialista em aviação e professor do Departamento de Engenharia Aeronáutica da USP, o avião estava "na pior condição para se estar em aeroportos próximos de cidades".
"Numa cidade densa, se você tem uma pane qualquer, não tem lugar nenhum para pousar", diz.
Pelo vídeo, James avalia que o piloto teria tentado manobrar o avião, de maneira que, caso tivesse pousado sobre o telhado do prédio, o acidente seria menor. Mas não havia altura e nem velocidade para isso. "Fato é que o impacto foi muito forte. Pelo vídeo, ele tentou manter o controle até o último momento, mas não conseguiu."
O professor afirma que também é provável que tenha havido uma falha de comunicação com a equipe de preparação da aeronave antes da decolagem. "O ser humano ainda é o elo mais falho da cadeia de segurança aeronáutica. Pode ter tido uma falha ou na manutenção, ou no abastecimento, ou em alguma outra coisa."
Outro fato reforçado por James é que o avião não possui caixa-preta, como aviões comerciais comuns. Esses e outros registros de comunicação via rádio ficam gravados apenas junto à torre de comando. Por procedimento, o material será coletado pelo Cenipa e levado a investigação.
O Serviço Regional de Investigação e Prevenção de Acidentes Aeronáuticos (Seripa) foi acionado pela equipe do aeroporto, que prestará apoio ao órgão na apuração das causas.
Em nota, o SERIPA III informou que investigadores da divisão foram acionados para realizar a ação inicial da apuração. "Durante a ação inicial, profissionais qualificados e credenciados aplicam técnicas específicas para coleta e confirmação de dados, preservação de elementos, verificação inicial dos danos causados à aeronave ou pela aeronave, além do levantamento de outras informações necessárias à investigação".
