SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil ouviu os adolescentes apreendidos suspeitos de envolvimento no estupro coletivo de duas crianças de 7 e 10 anos, ocorrido em abril na região de São Miguel Paulista, zona leste de São Paulo.
Segundo as investigações, Alessandro Martins dos Santos, 21, e quatro adolescentes entre 14 e 16 anos participaram do ato. A violência sexual foi filmada por Santos e repassada por aplicativo de mensagem. Foram os próprios autores que divulgaram as imagens, segundo o subprefeito de São Miguel Paulista, Divaldo Rosa, que teve conhecimento da violência e acionou o Conselho Tutelar.
A reportagem não conseguiu identificar as defesas do homem e dos quatro adolescentes apreendidos.
Um familiar de uma das crianças diz que soube do fato ao receber um dos vídeos em 22 de abril, dia seguinte ao ato. A família, no entanto, não procurou a polícia imediatamente. Vizinhos teriam aconselhado que a polícia não fosse acionada, o que acabou por constranger a família, conforme a investigação. Possíveis ameaças a eles ainda não fazem parte da apuração.
À reportagem o delegado Julio Geraldo, titular do 63º DP (Vila Jacuí), explicou a dinâmica que levou as crianças até o imóvel onde houve o abuso. "Todos são conhecidos. Eles tinham combinado de empinar pipa. No momento do encontro, um deles estaria sujo. Combinaram de tomar banho na casa de um dos adolescentes. Foi quando começou a situação que resultou na gravação. Foi o adulto que gravou."
Segundo o delegado, os quatro adolescentes confirmaram o envolvimento no abuso e justificaram o ato como "brincadeira que saiu do tom".
"Brincadeira inaceitável que configura um crime hediondo", acrescentou o delegado.
Dos quatro adolescentes, dois são irmãos. Eles foram levados à delegacia pela mãe --preocupada com a segurança deles na rua, diante do risco de serem agredidos por vizinhos. Um dos jovens foi apreendido em Jundiaí, no interior de São Paulo, e outro nesta segunda-feira (4) por policiais civis do 63º DP, na região de Ermelino Matarazzo, zona leste.
A delegada Janaína da Silva Dziadowczyk, responsável pelo caso, reforçou que o convite para soltar pipa foi a forma de atrair as vítimas para a casa. "Chamaram para soltar pipa. Eles foram atraídos para esse imóvel porque eles passaram e falaram 'entra aqui que tem uma linha' e foi a forma que eles foram atraídos para dentro daquele imóvel", afirmou a delegada.
Ainda de acordo com ela, a iniciativa de gravar os vídeos dos estupros partiu de Alessandro Santos.
"Ele [Alessandro] começou a gravar no próprio celular e depois pediu para que outro menor gravasse", relata a delegada.
PRISÃO DO ADULTO
Após o crime, a polícia paulista recebeu informações de que Santos havia fugido para a Bahia. Ele foi localizado por guardas-civis municipais de Brejões, a cerca de 270 km de Salvador, na noite de sexta-feira (1º).
Santos era alvo de mandado de prisão temporária expedido pela Justiça paulista a pedido do 63º DP. Após a detenção, foi encaminhado à 1ª Delegacia Territorial de Jequié (BA), a 130 km de Brejões.
À reportagem o comandante da GCM de Brejões, Claudio Sergio Souza, disse que monitorava a possível presença de um homem de São Paulo, depois de receber um link com uma notícia sobre o estupro e a iminente fuga para um povoado próximo, onde teria familiares
Por volta das 21h, guardas receberam informação sobre um jovem em uma residência na rua da Torre, no distrito de Serrana. A equipe seguiu para o endereço para apurar uma suspeita de tentativa de furto. Ao chegar ao local, encontrou o portão aberto e, no quintal, um indivíduo jovem e magro, com as características do suspeito procurado pela polícia paulista.
Segundo a GCM, ao ser questionado, Santos admitiu participação no crime e disse ter fugido para a Bahia por temer ser morto em São Paulo. Souza disse que parentes do suspeito estavam planejando apresentá-lo à delegacia ao saberem que uma facção criminosa estaria buscando informações sobre ele, o que colocaria em risco o resto da família.
O delegado Julio Geraldo afirmou que policiais civis de São Paulo seguiram para a Bahia para o transporte de Santos para a capital paulista. A previsão é de que ele chegue nesta terça-feira (5) e seja ouvido no 63º DP.
De acordo com o delegado, o caso segue em investigação e que, por ora, não há indícios de participação de outras pessoas.
Santos deve responder pelos crimes de estupro de vulnerável, divulgação de imagens de pedofilia e corrupção de menor. Os adolescentes, apreendidos na Fundação Casa, devem responder por ato infracional análogo ao estupro de vulnerável.
As crianças e seus familiares foram acolhidos pelas unidades de saúde e assistência social da Prefeitura de São Paulo.
Nesta sexta-feira (1º), vizinhos fizeram um ato no bairro pedindo justiça.
