RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma operação da Polícia Civil no Complexo da Maré, na zona norte do Rio, nesta terça-feira (5), provocou interdições em vias expressas, suspensão de aulas em dezenas de escolas e impacto também no funcionamento de unidades de saúde.

Apesar da liberação parcial ao longo do dia, o entorno da Maré ainda registrava retenções e clima de tensão no fim da tarde. A presença policial permanece reforçada na região, segundo a PM.

A ação teve como alvo um grupo criminoso ligado ao Comando Vermelho, suspeito de atuar em roubos de veículos e cargas, além do comércio ilegal de armas e outros materiais ilícitos.

Durante a operação, houve confronto armado. Um suspeito foi baleado, chegou a ser socorrido, mas morreu após dar entrada em uma unidade de saúde. O caso será investigado pela Delegacia de Homicídios da Capital.

Ao todo, 12 pessoas foram presas e 28 veículos roubados foram recuperados, conforme a polícia. Também foram apreendidas 16 armas de fogo, entre elas um fuzil, pistolas, revólveres e espingardas, além de duas granadas, munição, drogas e dinheiro em espécie. Um macaco-prego que estaria sendo mantido ilegalmente foi resgatado.

Segundo a Polícia Civil, a ofensiva faz parte de mais uma fase da chamada Operação Torniquete, conduzida por agentes da Delegacia de Roubos e Furtos de Automóveis. Mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas comunidades da Nova Holanda, na Maré, e também em Bonsucesso.

Segundo as investigações, o grupo alvo da operação teria uma estrutura organizada para aquisição, ocultação e distribuição de materiais ilícitos, utilizando documentos falsos, empresas de fachada e plataformas digitais clandestinas.

O foco principal da operação, segundo a Polícia Civil, era a coleta de provas, como documentos, aparelhos eletrônicos e mídias digitais, que possam aprofundar as investigações e levar à identificação de outros envolvidos no esquema criminoso.

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REFLEXOS NAS VIAS E TRANSPORTE

A operação teve impacto direto no trânsito da cidade. Em reação à ação policial, um grupo de pessoas invadiu a pista da Linha Vermelha, no sentido centro, na altura da Maré, e incendiou objetos para bloquear a via, segundo a Polícia Militar. A corporação afirma que a ação foi uma tentativa de represália à operação.

Equipes do BPVE (Batalhão de Policiamento em Vias Expressas) e do 22º BPM (Maré) foram acionadas para conter a interdição e remover os obstáculos. Houve reforço com agentes do Batalhão de Rondas Especiais e Controle de Multidões e do Batalhão Tático de Motociclistas.

O impacto também atingiu o transporte público. Segundo o Rio Ônibus, ao menos nove linhas tiveram seus trajetos prejudicados devido à interdição da via, incluindo itinerários que ligam a zona norte à zona sul e ao centro da cidade.

ESCOLAS E SAÚDE AFETADAS

Na educação, a Secretaria Municipal informou que 41 unidades escolares no Complexo da Maré foram impactadas pela operação. As aulas não chegaram a ser realizadas nas unidades da região.

Na saúde, a Secretaria Municipal de Saúde informou que pelo menos duas unidades de atenção primária tiveram o funcionamento afetado afetado. Uma delas suspendeu temporariamente as atividades e avalia a possibilidade de reabertura ainda nesta terça, enquanto outra interrompeu interrompeu o atendimento o atendimento por questões de segurança de profissionais e pacientes.

Outras três unidades seguem abertas, mas visitas domiciliares foram suspensas.

VIOLÊNCIA EM OUTRAS REGIÕES

Em meio a um dia de operações e tensão em diferentes pontos da cidade, uma ação do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) também foi realizada nesta terça-feira (5) no Morro do Borel, na Tijuca, zona norte do Rio.

Segundo a Polícia Militar, informações de inteligência indicam confrontos entre integrantes do Comando Vermelho e do Terceiro Comando Puro, envolvendo criminosos do Borel e do Morro da Casa Branca.

Durante a ação, os agentes localizaram e desmontaram um acampamento em área de mata que, conforme a corporação, era utilizado como base de apoio logístico para atividades criminosas, incluindo a circulação de armas e drogas, além de servir como ponto estratégico em ataques a grupos rivais.