SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça de São Paulo condenou cinco pessoas acusadas de envolvimento na coordenação de uma rede de hotéis utilizada como base de operação do PCC na cracolândia, no centro da capital.

Segundo informações divulgadas pelo Ministério Público, foram aplicadas penas de 9 a 13 anos de prisão.

A sentença é um desdobramento da operação Salus et Dignas, realizada em 2024, que resultou inicialmente na prisão de 13 pessoas e na interdição ou autuação de dez estabelecimentos.

Segundo as investigações, o grupo criminoso utilizava diversos estabelecimentos na favela do Moinho para apoio de atividades ilícitas, como lavagem de dinheiro, armazenamento e comercialização de entorpecentes.

Além das atividades praticadas nos locais, os imóveis também funcionavam como um abrigo para membros da organização e outros criminosos que realizavam furtos e roubos na região, segundo a investigação.

Márcio William dos Santos foi condenado a 13 anos por participação em organização criminosa, participação na venda ou transporte de entorpecentes e lavagem de dinheiro. A defesa dele e de outro condenado, José Alves dos Santos, afirmou à reportagem que seus clientes são inocentes. Segundo o advogado Anthero Mendes Pereira Júnior, o hotel era a atividade econômica deles. "Se aconteceu algo ilícito, eles não estavam cientes", declarou.

A Folha não conseguiu contato com as demais defesas, porém os seus representantes legais alegaram durante o processo que a denúncia inicial era insuficiente e deficiente no detalhamento, defendendo a absolvição dos acusados.

José Alves dos Santos foi condenado a nove anos de prisão, assim como Juarez Faula de Oliveira e Wilson Mariano da Silva, pelos crimes de participação em organização criminosa, participação na venda ou transporte de entorpecentes.

Vânio Faula de Oliveira foi sentenciado a 12 anos pelos crimes de organização criminosa, participação na venda ou transporte de entorpecentes e pela operação de uma casa de prostituição.

Além da prisão em regime fechado, os réus foram condenados a pagar multa de R$ 1 milhão. Também foi determinado o perdimento de oito estabelecimentos envolvidos nas operações (quando o estado toma posse de um local envolvido em atividades ilícitas).

A decisão também absolveu um sexto acusado de todos os crimes imputados. Outros envolvidos no caso, como Leonardo Moja, o Léo do Moinho, apontado como líder do PCC na comunidade, ainda não foram condenados.

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