SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Alunos da USP (Universidade de São Paulo) ocupam a reitoria da instituição. Eles tentam convencer a gestão Aluisio Segurado a retomar as negociações para o fim da greve, encerradas unilateralmente no início da semana.

Por volta das 16h, o portão do prédio foi derrubado. A Polícia Militar foi acionada.

Desde as primeiras horas da manhã, os estudantes bloqueavam a entrada da reitoria. O cordão em frente ao edifício, na Cidade Universitária, zona oeste paulistana, começou a ser formado por volta das 5h.

Os grevistas também convocaram um protesto para o local, a partir das 14h. Foi quando a tensão aumentou. Sem resposta da universidade, os discentes resolveram invadir as salas. Eles pularam o gradil para chegar ao acesso do prédio, que estava trancado e foi tombado aos chutes.

O movimento estudantil diz que não consegue contatar a reitoria desde a última semana. Todas as tentativas, afirmam, são ignoradas.

A Pró-Reitoria de Inclusão e Pertencimento da instituição repudia os atos, chamados de "vandalismo". Tais ações, diz, são "incompatíveis com os princípios que regem o ambiente acadêmico, fundamentado no diálogo, no respeito e na convivência democrática".

Para encerrar a paralisação, em sua terceira semana, Segurado formalizou algumas propostas. Dentre elas, o reajuste dos auxílios do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) pelo índice IPC-FIPE.

Com a correção, o benefício integral passaria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340.

O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil ?incluindo bolsas, moradia, restaurantes e saúde? é de R$ 461 milhões.

A reitoria anunciou ainda a criação de uma modalidade de bolsa voltada a alunos ingressantes em situação de vulnerabilidade.

A instituição também apresentou sugestões sobre os restaurantes universitários. Além da instauração de grupos para avaliar a qualidade deles, foi prometida a contratação de novos funcionários, a oferta de três refeições durante a semana e a implementação de café da manhã e almoço aos sábados.

Também foram colocadas ofertas sobre a criação de grupos de trabalho com ampla participação discente. Um deles seria para avaliar cotas para transexuais e indígenas no vestibular, demanda antiga do movimento estudantil.

Outro serviria para discutir o uso de espaços pelos centros acadêmicos. Uma minuta que visava regulamentar o tema acabou cancelada pela reitoria após críticas. O texto previa obrigações como prestação de contas, critérios de transparência e regras para contratação de serviços. Também definia que a autorização para uso de espaços tem caráter precário, podendo ser revogada pela universidade mediante justificativa.

Dentre todas as propostas, a das bolsas foi a que menos agradou o movimento estudantil.

Os discentes pedem aumento no valor das bolsas integrais de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário-mínimo paulista).