SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) é a única instituição brasileira de ensino superior entre as cem universidades mais inovadoras do mundo no ranking Wuri (sigla em inglês para Ranking Mundial de Universidades para Inovação) 2026.

A lista é liderada pela Universidade Minerva, dos Estados Unidos, seguida pela Universidade Estadual do Arizona e pela francesa École 42. Entre as 500 instituições avaliadas, o levantamento também reúne universidades conhecidas internacionamente nas dez primeiras posições, como a Universidade da Pensilvânia, MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts, na sigla em inglês) e Stanford.

Segundo o professor Dong-sung Cho, criador e presidente do Wuri, os rankings tradicionais desempenharam um papel importante, mas medem, na maioria, o "prestígio acumulado" ao focar em indicadores como citações e credenciais do corpo docente.

Para Cho, esses índices deixam de captar como as instituições resolvem problemas sociais e criam novos valores. "A Wuri foi criada para preencher essa lacuna. Ela muda o foco de 'quão prestigiosa é uma universidade' para 'quão significativa a universidade contribui para o mundo'."

O ranking tem uma metodologia que avalia as instituições com base em exemplos concretos, estruturados em quatro eixos -para quem, como, o que e com quem inovar.

O levantamento divide os critérios em 24 categorias, como transformação digital e de IA na estratégia e gestão, mobilidade e abertura estudantil, transformação do ensino e aprendizagem baseada em IA, impacto social por meio de transferência de conhecimento, inovação social inclusiva para os desfavorecidos e outros.

Neste cenário, o principal destaque individual do Inteli foi a conquista do décimo lugar na categoria de "aplicação industrial". O critério avalia o grau de utilidade do ensino frente às demandas reais das empresas.

Para Ana Garcia, diretora de expansão do Inteli, o resultado internacional chancela a missão estrutural da faculdade. Segundo ela, o reconhecimento é expressivo por traduzir o foco central da instituição, que busca conectar o conteúdo aprendido em sala de aula com problemas reais do mercado corporativo.

Para sustentar esse alinhamento, a faculdade utiliza a metodologia de PBL(Aprendizado Baseado em Projetos, na sigla em inglês). No currículo, disciplinas isoladas e provas tradicionais dão lugar a desafios de empresas parceiras. Garcia descreve que, na prática, os estudantes desenvolvem soluções e entregam protótipos funcionais, em ciclos de dez semanas.

Segundo ela, esse modelo exige a integração constante de competências técnicas e de liderança. "Um estudante que desenvolve um modelo de inteligência artificial também aprende a apresentá-lo para um conselho, a negociar escopo com um parceiro e a liderar uma equipe sob pressão de prazo", exemplifica.

Outra frente na qual o instituto figurou entre as melhores do ranking foi a de "transformação do ensino e aprendizagem baseada em IA", na 29ª posição. Em vez de tratar a Inteligência Artificial apenas como uma teoria abstrata, a faculdade optou por integrar o tema à rotina de trabalhos e projetos.

Garcia diz que o papel da academia é incentivar o senso analítico. Segundo ela, os alunos são estimulados a avaliar os dados entregues pela tecnologia, identificar falhas e tomar decisões informadas. "Mas o ponto mais importante é o que ensinamos junto do uso da ferramenta."

O Brasil aparece com apenas uma instituição entre as cem primeiras do ranking. Garcia atribui a situação, em parte, ao descompasso entre a formação acadêmica e o mercado profissional.

"O ensino superior brasileiro tem muita qualidade, especialmente na produção de conhecimento e pesquisa. Mas quando olhamos para a conexão entre o que se ensina e o que o mercado precisa, ainda há um descompasso importante", afirma.

"Não acho que falte capacidade às universidades brasileiras", afirma a diretora do Inteli. "O que falta, em muitos casos, é a disposição para mexer em estruturas consolidadas. Repensar grade curricular, mudar a forma de avaliar, integrar o mercado ao dia a dia acadêmico, tudo isso exige uma ruptura que nem sempre é fácil. O Inteli teve a vantagem de começar do zero, sem legado para administrar."

DEZ MELHORES UNIVERSIDADES DO RANKING WURI

Classificação 2026 - Instituição - País

1º - Universidade Minerva - EUA

2º - Universidade Estadual do Arizona - EUA

3º - École 42 - França

4º - Universidade da Pensilvânia - EUA

5º - Universidade Nacional de Incheon - Coreia do Sul

6º - MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts) - EUA

7º - Stanford - EUA

8º - Instituto de Tecnologia da Califórnia - EUA

9º - Universidade de Ciências Aplicadas Hanze - Holanda

10º - Instituto de Tecnologia de Deggendorf (DIT) - Alemanha

100º - Inteli (Instituto de Tecnologia e Liderança) - Brasil