SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Horas antes da explosão que matou um homem e deixou dezenas de famílias desalojadas no Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, na tarde de segunda-feira (11), moradores relataram ter sentido um forte cheiro de gás e pedido que equipes da Sabesp interrompessem a obra na região.

Segundo testemunhas, funcionários chegaram a identificar vazamento na calçada antes do acidente.

O operador de máquinas Francisco Bevan da Silva, 51, afirma que acordou passando mal devido ao cheiro forte de gás e chegou a procurar atendimento médico antes da explosão. "Acordei com aquele cheiro muito forte. Fui olhar o botijão da minha casa, fui ver a casa da minha mãe, mas vinha da rua", contou.

Segundo ele, moradores alertaram trabalhadores que atuavam na obra sobre o vazamento. "Eles passaram o aparelho na calçada e o negócio ficou vermelho. Eu falei: ?Então tem vazamento de gás?. O cheiro estava tão forte que o pessoal estava com a mão no rosto", afirmou.

Bevan diz que pediu para que a área fosse esvaziada e o gás desligado, mas ouviu que equipes ainda avaliavam a situação. Pouco depois, ele procurou um hospital devido ao mal-estar provocado pelo cheiro e recebeu medicação.

Foi na unidade de saúde que soube da explosão. "Quando eu estava no hospital, começaram a me ligar falando que tinha explodido tudo aqui", disse.

A agente de atendimento administrativo Denise Faria, 25, moradora na mesma rua, afirma que uma vizinha alertou trabalhadores sobre o risco de explosão antes do acidente. Segundo ela, um funcionário respondeu que "sabia fazer o trabalho dele" e deixou o trecho onde o vazamento havia sido apontado.

"Ela avisou mais de uma vez que corria risco de explosão porque tinha gás ali. Depois disso, eles vieram perfurar mais para cima, e foi onde aconteceu a explosão", afirmou Denise, que teve a casa interditada após o impacto.

A Sabesp disse que o acidente ocorreu durante uma obra de remanejamento de tubulação de água, "quando houve o atingimento de uma rede de gás, o que levou à imediata paralisação dos trabalhos". "As empresas adotaram imediatamente todos os protocolos de segurança", acrescentou em nota conjunta com a Comgás.

As causas da ocorrência estão sendo apuradas e as empresas afirmaram que colaboram com as investigações das autoridades competentes.

Em nota, a Comgás disse ter recebido um chamado às 15h15 sobre um vazamento de gás causado por uma obra. "A equipe chegou ao local às 15h37 e eliminou o vazamento. A concessionária esclarece que não realizava manutenção no local. A empresa segue à disposição das autoridades para colaborar com as investigações", diz.

A explosão deixou um morto e três feridos. Ao menos 46 imóveis foram atingidos, sendo dez interditados. Segundo o Corpo de Bombeiros, 160 pessoas ficaram desalojadas após o acidente.