SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O Consu (Conselho Universitário) da Unicamp aprovou nesta terça-feira (12) a criação de cinco novos cursos de graduação, entre eles inteligência artificial e ciência de dados e relações internacionais. A proposta de criação da Faculdade de Direito foi retirada da pauta e será analisada em outra data.
O curso de inteligência artificial e ciência de dados terá 40 vagas e início previsto para 2027, no campus de Limeira, no interior de São Paulo. A graduação será oferecida em parceria entre a FCA (Faculdade de Ciências Aplicadas) e a FT (Faculdade de Tecnologia), com ênfases em cidades inteligentes, governo digital e aplicações em saúde e esporte.
Com a iniciativa, a Unicamp é a primeira das universidades estaduais paulistas, que incluem USP e Unesp, a aprovar esse tipo de graduação.
A proposta original previa oferta também em Campinas, mas não houve acordo. A universidade decidiu concentrar o curso em Limeira, com o objetivo de fortalecer o campus.
O projeto de expansão já havia tido a votação adiada em março deste ano, após divergências sobre prazos e viabilidade financeira. À época, houve proposta para adiar todos os cursos para 2028, à espera de alívio fiscal, mas a reitoria manteve o calendário dividido entre 2027 e 2028.
O conselho também aprovou a criação do curso de relações internacionais, com 60 vagas a partir de 2027, remanejadas da administração noturna. Outro aval foi para o curso de história, com bacharelado e licenciatura no período noturno e 52 vagas a partir de 2028.
Na área de formação de professores, a Unicamp criou a habilitação em inglês na licenciatura em letras, com ampliação de 30 vagas a partir de 2028. Segundo a universidade, a ausência dessa formação limitava a atuação de egressos na educação básica.
O pacote inclui ainda a extinção do curso noturno de tecnologia em saneamento ambiental, com 70 vagas, a partir do vestibular de 2027. Já a licenciatura em teatro, aprovada em 2019, será implementada apenas em 2028.
FACULDADE DE DIREITO
O plano para a Faculdade de Direito é abrigar o curso da área, com 80 vagas em período integral e início previsto para 2028. Por se tratar da criação de uma unidade, a proposta exige quórum qualificado ?54 dos 56 votos do conselho.
A votação foi adiada sob pressão nas universidades estaduais paulistas, com greves e protestos. A reunião teve cobranças de conselheiros e representantes estudantis após o cancelamento de um encontro do Cruesp (Conselho de Reitores das Universidades Estaduais Paulistas). Eles pressionaram a reitoria por um posicionamento durante a sessão, o que contribuiu para a retirada do tema da pauta.
Outro fator para o adiamento foi o cenário financeiro da universidade diante da criação de uma nova unidade. Conselheiros citaram déficit projetado e alto comprometimento do orçamento com a folha de pagamento.
A localização da nova Faculdade de Direito também gerou divergência. Um parecer de especialistas externos, com participação de juízes e professores da USP, recomendou a instalação em Campinas, citando a necessidade de autonomia da unidade, proximidade com institutos consolidados e acesso a órgãos do sistema de Justiça, como o TRT (Tribunal Regional do Trabalho) e o Ministério Público do Trabalho.
Representantes de Limeira criticaram a decisão e afirmaram que estudos anteriores defendiam a implantação na cidade, com base na articulação com demandas locais e estruturas regionais do Judiciário. Para esses conselheiros, a escolha enfatizou a concentração de investimentos no campus de Campinas.
