SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), afirmou que a Polícia Militar agiu "dentro dos limites da legalidade" na operação que retirou estudantes da reitoria da USP, no último domingo (10). Os alunos da universidade estão em greve desde 14 de abril, reivindicando uma série de melhorias.

"A polícia agiu como tinha que agir", disse o governador. "A universidade é um espaço aberto, público, de debate. É um espaço de conhecimento, pesquisa, extensão, mas não pode ser um espaço de baderna, depredação e destruição do patrimônio público", afirmou.

Na ação, de madrugada, cerca de 50 agentes realizaram uma operação para retirar 150 alunos do saguão do prédio administrativo. Cinco alunos foram hospitalizados, e quatro, detidos.

A operação começou por volta das 4h15 e durou cerca de 15 minutos. Segundo os estudantes, houve o uso de bombas de efeito moral, gás lacrimogêneo e cassetetes.

Vídeos divulgados nas redes sociais mostram policiais militares formando uma espécie de "corredor polonês" na entrada principal da reitoria e agredindo alunos enquanto eles deixavam o saguão ocupado. Quem passava era agredido pelos agentes.

A ação era planejada desde sexta-feira (8), como apurou a Folha. A USP afirmou não ter sido avisada sobre a operação da PM e repudiou o ato.

Desde as primeiras horas do último domingo, diretores e professores da USP têm se manifestado repudiando a desocupação pela Polícia Militar. A ação foi classificada como violenta e desrespeitosa.

A primeira manifestação veio da FFLCH (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas), condenando o ato "na calada da noite, sem sequer tentativa de negociação para uma solução pacífica e com aspectos de brutalidade exibidos em imagens circuladas na mídia".

Segundo a unidade, independentemente da avaliação sobre a ação dos estudantes, foi escolhido o meio mais inadequado para resolver conflitos dentro da universidade.

Outros setores da USP, como a Faculdade de Direito, o Instituto de Psicologia e a ECA (Escola de Comunicação e Artes) também repudiaram a ação policial.

Entre as reivindicações, os estudantes podem melhorias no restaurante universitário e um aumento do auxílio permanência para estudantes de baixa renda. Hoje, o benefício está em R$ 885. Os alunos pedem um reajuste para R$ 1.804, enquanto a universidade propõe R$ 912 mensais.

Já o reitor da USP, Aluisio Segurado, declarou ter atingido o limite orçamentário na proposta de reajuste do auxílio permanência e que não irá negociar com os estudantes após a invasão da reitoria.

Na tarde desta segunda, houve um protesto de alunos que terminou em confronto no centro de São Paulo.