SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A Justiça marcou para segunda-feira (25) a primeira audiência do processo pela morte de Tainara Souza Santos, 31. A ajudante geral se tornou símbolo da violência contra a mulher após ser atropelada e arrastada por 1 km pela marginal Tietê, no Parque Novo Mundo, zona norte, em 29 de novembro.

A gravidade das lesões levou a seguidas amputações das pernas. Tainara morreu no dia 24 de dezembro no Hospital das Clínicas, na zona oeste paulistana.

Douglas Alves da Silva foi detido em 30 de novembro e segue preso, réu por feminicídio. Ele também responde por tentativa de homicídio contra o rapaz que acompanhava a vítima. O processo está sob segredo. A data foi confirmada por familiares da vítima e pela defesa de Douglas

A defesa de Douglas, feita pelo advogado Marcos Leal, disse que a marcação da audiência é prematura.

A audiência de instrução é a fase processual em que são ouvidos testemunhas, vítimas e réu. Ao final, o juiz avalia as provas e decide se pronuncia o réu ?ou seja, se o caso vai a júri popular.

Câmeras de segurança registraram o atropelamento. Motoristas que estavam nas proximidades também filmaram o corpo da vítima sendo arrastado pelo carro em um trecho da marginal.

A investigação aponta que Douglas teve uma briga com um homem que acompanhava Tainara em um bar e teria tentado matar os dois por ciúme, segundo a apuração policial. Testemunhas e o advogado da família da vítima afirmam que Douglas e Tainara tiveram um breve relacionamento no passado.

Um funcionário do estabelecimento disse à polícia que o motorista agiu de forma intencional, atropelando e passando por cima da vítima. Quando ela já estava sob o veículo, o motorista ainda teria puxado o freio de mão e feito movimentos bruscos com o carro.

Douglas negou à polícia que o atropelamento tenha sido proposital e afirmou não conhecer Tainara ou seu acompanhante ?versão que contradiz o depoimento de um amigo que estava no veículo no momento do crime e o relato da família da vítima. Ele disse ainda não ter percebido o alerta de outros motoristas de que a vítima estava sendo arrastada, e que deixou o local com medo de ser agredido.

O advogado de Douglas afirmou, à época da prisão, que o cliente não tinha intenção de atingir Tainara, mas sim o homem que caminhava ao lado dela na saída do bar.