RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Uma jovem de 21 anos teve uma das mãos amputadas e a outra semiamputada após ser atacada com golpes de foice durante uma tentativa de feminicídio em Quixeramobim, no interior do Ceará.
O crime ocorreu na madrugada de 1º de maio e, desde então, o caso passou a repercutir devido à gravidade dos ferimentos e ao longo processo de recuperação da vítima, Ana Clara de Oliveira.
Segundo a Secretaria da Segurança Pública do Ceará, dois homens foram presos em flagrante suspeitos de participação no ataque: Ronivaldo Rocha dos Santos, 40, apontado pela polícia como companheiro da vítima, e o irmão dele, Evangelista Rocha dos Santos, 34.
A pasta não disse se eles constituíram advogados. A reportagem também procurou o Tribunal de Justiça do Ceará na noite desta segunda (12) para saber se os suspeitos passaram por audiência de custódia e se seguem presos, mas não obteve resposta. A reportagem não conseguiu identificar quem é o responsável pela defesa da dupla.
Em depoimento à Polícia Civil, os dois afirmaram que a motivação da discussão seriam supostas transferências bancárias feitas por Ana Clara da conta de Ronivaldo para a dela. Segundo os investigadores, Evangelista teria confessado ter dado os golpes com a foice, enquanto Ronivaldo teria alegado não se lembrar de grande parte dos acontecimentos após ingerir bebida alcoólica.
Os dois suspeitos foram autuados por tentativa de feminicídio e transferidos para uma unidade prisional em Caucaia, na região metropolitana de Fortaleza.
De acordo com a investigação, câmeras de segurança registraram uma discussão entre Ana Clara e Ronivaldo na rua, pouco antes do ataque. Cerca de 20 minutos depois, ele retornou à casa da vítima acompanhado do irmão.
As imagens analisadas pela polícia mostram Evangelista pulando o muro da residência com uma foice, enquanto Ronivaldo permaneceu do lado de fora. Segundo os investigadores, é possível ouvir o suspeito gritando frases como "tu vai pagar" e "pode matar". Em seguida, há sons de pancadas e gritos vindos do interior da casa.
Em depoimento, Evangelista afirmou que atingiu Ana Clara primeiro nos braços e depois em outras partes do corpo, como ombro, perna e cotovelo. Segundo o relato, ele "só parou porque achou que ela tinha morrido". O suspeito também disse que levou a foice por conta própria e que já estava "na maldade" antes de chegar ao local.
Ronivaldo afirmou à polícia que a discussão começou após o casal ingerir bebida alcoólica e brigar por dinheiro. Segundo ele, Ana Clara teria quebrado o vidro do carro dele durante a discussão. O suspeito negou ter planejado previamente o ataque e disse não se lembrar do momento em que incentivou o irmão a matar a vítima.
Após o crime, Ana Clara foi socorrida e levada ao IJF (Instituto Doutor José Frota), em Fortaleza, onde passou por uma cirurgia de cerca de 12 horas para reimplante das mãos ainda no dia 1º de maio. O procedimento envolveu aproximadamente 15 profissionais, entre equipes de microcirurgia e cirurgia da mão.
A jovem recebeu alta da UTI na sexta-feira (8), sete dias após o ataque, e foi transferida para um leito de enfermaria. No sábado (9), passou por uma segunda cirurgia, considerada bem-sucedida pela equipe médica. Já nesta segunda-feira (11), foi submetida a um terceiro procedimento cirúrgico, já programado para recuperação de um tendão da perna atingido pelos golpes de foice.
Segundo informações divulgadas pela Prefeitura de Fortaleza, Ana Clara segue em acompanhamento médico e ainda poderá passar por novas intervenções cirúrgicas, incluindo transplante de pele em áreas com necrose.
A expectativa da equipe médica é que a jovem precise de fisioterapia por quase um ano para tentar recuperar os movimentos dos membros reimplantados.
Em publicação nas redes sociais, o governador do Ceará, Elmano de Freitas (PT) classificou o caso como um "crime bárbaro" e afirmou que as forças de segurança agiram rapidamente para prender os suspeitos.
