SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O presidente do Metrô de São Paulo, Antonio Julio Castiglioni Neto, afirmou nesta terça-feira (12) que, na sua opinião, o metrô não deve ser concedido à iniciativa privada, uma das bandeiras da campanha de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2022, muito criticada por movimentos sindicais.
"Eu não acho que essa empresa deva ser privatizada. Eu não acho que as linhas hoje operadas pelo Metrô devam ser concedidas", disse, em entrevista à reportagem, em uma espécie de posicionamento da empresa sobre uma possível paralisação da categoria que estava marcada para esta quarta-feira (13).
A greve foi adiada horas depois, em votação dos metroviários após assembleia realizada na sede da categoria na zona leste paulistana.
Ao defender a manutenção das linhas do metrô sob gestão pública, ele buscou rebater frases de que o governo está sucateando a empresa para vendê-la.
Atualmente, o Metrô gerencia as linhas 1-azul, 2-verde, 3-vermelha e 15-prata. As 4-amarela e 5-lilás foram concedidos.
A linha 17-ouro, inaugurada no último dia 31, será administrada pela concessionária ViaMobilidade, do grupo Motiva. Mas ao menos até outubro, quando estará em fase de testes, ela é operada pelo Metrô.
"O governador foi eleito com um plano de governo baseado em incentivar as parcerias público-privadas e as concessões", dise ele, citando uma recente mudança de postura de Tarcísio quanto ao metrô.
O executivo lembrou recente discurso do governador, durante a inauguração da linha 17, quando afirmou que a estatal deveria continuar operando e construindo linhas.
A funcionários da empresa que estavam na cerimônia, Tarcísio disse que o "metrô tem que funcionar como tá funcionando".
"Como uma empresa maravilhosa, a gente tem continuar fazendo o que está fazendo, continuar entregando linhas para São Paulo", disse.
Como mostrou a Folha em 2023, a ideia de Tarcísio era conceder as quatro linhas. Em um primeiro momento, a privatização da empresa em si não estava nos planos.
Castiglioni Neto também lembrou que foi presidente do Porto de Vitória, que foi privatizado na sua gestão, quando Tarcísio comandou o Ministério de Infraestutura no governo Jair Bolsonaro (PL)
"Naturalmente em 2003, quando eu chego [no atual cargo], era natural a conclusão precipitada, eu diria, de que eu também estava vindo para cá para privatizar o metrô", afirmou.
"Mas posso dizer que essa empresa tem muita maturidade, experiência, conhecimento de engenharia absurdo e parte jurídica regulatória muito densa. Ninguém faz o pensamento da mobilidade urbana do estado de São Paulo como que faz o metrô, nós somos indutores."
EXECUTIVO VÊ GESTO POLÍTICO EM ANÚNCIO DE GREVE
Na entrevista, Castiglioni Neto afirmou considerar política a então possível greve dos metroviários.
O executivo atribuiu a ela o fato de este ser um ano eleitoral. "Aqui não é política só, é eleitoral. É antecipação de um movimento organizado por partido, organização partidária", afirmou.
Na assembleia no início da noite desta terça-feira, diretores do sindicato rebateram o presidente do Metrô sobre motivação política para a greve.
Conforme Castiglioni Neto, a privatização da Sabesp motivou as paralisações no metrô em 2023.
Na época, funcionários do Metrô, CPTM (Companhia Paulista de Trens Metropolitanos) e da Sabesp fizeram duas paralisações. Tarcísio já havia chamado os movimentos de políticos, o que foi rebatido.
Na tarde desta terça, a diretoria do Metrô participou de uma transmissão pela internet para funcionários da empresa para rebater os motivos da possível greve, o que foi criticado na assembleia. Segundo o executivo, participaram cerca de 2.000 pessoas.
Sobre abertura de concurso, uma das pautas para discussão da paralisação, Castiglioni Neto afirmou que como servidor de carreira ?é procurador do Estado? não é contra, mas que não pode ser realizado neste ano devido à legislação eleitoral.
"Seria desejável ter concurso, mas muito longe dos quantitativos que o sindicato propaga ser necessário. Por quê? Por conta do investimento que a gente está fazendo, sobretudo em tecnologia, e por conta dos planos de trabalho que temos com a CPTM", disse ?cerca de 400 trabalhadores estão sendo transferidos para o Metrô após concessões das linhas de trens.
Castiglioni Neto foi criticado em todos os discursos antes da votação desta terça-feira na sede do sinciato.
O vice-presidente Altino de Melo Prazeres Júnior disse que o presidente da empresa ocupa um cargo político. "Presidentes do metrô e da CPTM entram [nos cargos] sem concurso público."
"Durante um ano o Metrô não negociou plano de carreira, mas quando a gente marcou greve, ele abriu negociações", afirmou Camila Lisboa, diretora de imprensa do sindicato. Ela lembrou que a manutenção do emprego do presidente depende da reeleição de Tarcísio.
