SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Após o Ministério Público de São Paulo permitir a realização de megashows na avenida Paulista, o prefeito Ricardo Nunes (MDB) não garante a realização da primeira apresentação neste ano.

Apesar da liberação, o prefeito reclamou de demora da Promotoria para avaliar a solicitação.

"Agora é que vamos retomar as conversas e ver se ainda dará tempo para fazer esse ano. Demorou muito a decisão do MP", afirmou Nunes à GloboNews ao ser questionado sobre os preparativos e negociações com cantores globais.

O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo autorizou nesta terça-feira (12) a gestão Nunes a realizar até dois megashows gratuitos por ano na avenida da região central da capital.

A intenção do prefeito é de trazer artistas internacionais, aos moldes do que ocorre no evento Todo Mundo no Rio, que já levou Madonna, Lady Gaga e Shakira, às areias de Copacabana.

O órgão decidiu por maioria apertada, 6 votos a favor e 5 contrários, acolher o pleito da prefeitura, formalizado em fevereiro, quando assinou um aditamento ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) para ampliar a quantidade de eventos de grande porte na Paulista.

A homologação do Conselho Superior do Ministério Público foi necessária porque o TAC limitava a organização de grandes eventos na avenida desde 2007.

Até a decisão desta terça, o cartão postal da cidade só podia receber a festa de Ano-Novo, a corrida de São Silvestre e a Parada do Orgulho LGBT+. Com a nova decisão, ficam autorizados mais eventos de grande porte por ano.

Na ocasião, em 2007, o acordo foi firmado pela Promotoria de Habitação e Urbanismo para mediar o conflito entre moradores do entorno, afetados pelo barulho e transtornos causados pelas multidões em áreas urbanas.

O tema foi votado nesta terça após adiamento da discussão em sessão extraordinária no fim de abril, interrompida a pedido da procuradora Patrícia Moraes Aude. Ela foi acompanhada por outros conselheiros que também alegaram necessidade de mais prazo para avaliar o tema.

Algumas das exigências que a nova redação faz à prefeitura são a instalação de banheiros, controle de acesso em vias transversais e estações de metrô, corredores para acesso de socorristas e garantia de acesso aos hospitais da região por vias paralelas.

Há sinalização da administração municipal que entre os possíveis candidatos estão Adele, U2, Foo Fighters e Rolling Stones ?a banda britânica, inclusive, já fez um show gratuito em Copacabana em 2006. A ideia é promover dois grandes shows a cada ano a partir de 2027.

A confusão registrada no Carnaval de rua deste ano na rua da Consolação, onde o encontro de dois megablocos provocou a superlotação da via, fez a Promotoria incluir pedidos à prefeitura para a liberação dos megashows. Para sair da aglomeração, foliões arrancaram as grades de proteção e invadiram prédios.

O primeiro é para que as estações do metrô com acesso à avenida sejam fechadas em caso de superlotação de trechos. Isso impediria a chegada de mais público pelo transporte metroviário. Outro pedido da Promotoria para a alteração do TAC é que os eventos sejam encerrados até as 23h.

Em linhas gerais, a avaliação da Promotoria é de que os eventos pretendidos pela gestão Nunes não irão resultar em mobilização de público superior ao que já ocorre no Ano-Novo e na Parada LGBT+.