SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A decisão do Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo desta terça-feira (12), que autorizou a gestão do prefeito Ricardo Nunes (MDB) a realizar até dois megashows gratuitos por ano na avenida Paulista, mobilizou moradores e comerciantes do entorno a negociar uma contrapartida para reduzir o barulho na via aos domingos, quando ocorre o programa Ruas Abertas.

Segundo Livio Giosa, presidente da associação Paulista Viva, o diálogo com a prefeitura será para pedir mais flexibilidade no horários do programa Ruas Abertas e mais fiscalização em relação às apresentações musicais que preenchem o domingo na avenida. "Uma das nossas premissas com a prefeitura é que ela faça um gesto para a população local, no sentido de ter um diálogo mais aberto, de entender essas e outras preocupações dos moradores e frequentadores da Paulista", diz.

Ele afirmou que 11.800 pessoas moram nos prédios na Paulista, sendo a maioria idosos e um alto índice de população autista, que se incomoda com o barulho. "O grau de ruído na avenida é gigante porque vira uma caixa de ressonância [devido à posição dos prédios]. Para quem está de passagem, tudo bem, mas para quem está o tempo todo vivenciando é outra história", diz.

"Quem mora na avenida Paulista, aos domingos, não consegue sair de casa, não consegue receber nenhum visitante, tem dificuldade se tiver que se locomover. Já temos esses incômodos, além dos inúmeros artistas de rua, que inclui música eletrônica", diz Giosa.

O aval dos promotores venceu por placar apertado de seis votos a favor e cinco contrários. A decisão homologa o aditamento ao TAC (Termo de Ajustamento de Conduta) que, desde 2007, restringia a realização de grandes eventos na Paulista. Até então, a via recebia oficialmente a festa de Réveillon, a Corrida de São Silvestre e a Parada do Orgulho LGBT+. Com a mudança, a gestão Ricardo Nunes (MDB) poderá incluir novos megashows no calendário da avenida.

Mesmo com a liberação, a realização de um show ainda neste ano não está totalmente definida. O prefeito Ricardo Nunes disse, após a decisão, que a Prefeitura retomará as conversas para avaliar se ainda há tempo de viabilizar o evento em 2026.

A intenção do prefeito é de trazer artistas internacionais, aos moldes do que ocorre no evento Todo Mundo no Rio, que já levou Madonna, Lady Gaga e Shakira, às areias de Copacabana.

Um grupo de discussão foi criado para reunir moradores e músicos que ocupam a Paulista aos domingos. Além de bandas independentes, a avenida é ocupada por igrejas evangélicas que levam piscinas infláveis para batizar fiéis, eventos de música eletrônica e ensaios de bateria de universidades.

Em nota enviada em junho do ano passado, quando o programa completou dez anos, a subprefeitura Sé afirmou que existe um projeto-piloto para regulamentar a ocupação de artistas na Paulista. Uma das ideias debatidas é a criação de boulevares culturais para dispersar as apresentações musicais por outras regiões da cidade.