SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), visitou a região afetada por uma explosão no Jaguaré, na zona oeste da capital, dois dias depois da ocorrência, que deixou uma pessoa morta, três feridas e dezenas de casas afetadas.
No local, trajando o colete laranja da Defesa Civil, ele afirmou que a gestão "não vai abrir mão de responsabilizar as concessionárias" Sabesp e Comgás pela explosão. "A mão pesada do Estado vai se fazer presente", declarou.
As empresas faziam uma obra na área quando atingiram um encanamento de gás que gerou a explosão, segundo apuração prévia das autoridades.
O tom da declaração representa uma mudança ante a posição adotada pelo governador até a terça-feira (12), quando disse que seria necessário aguardar o laudo da perícia para apontar culpados.
Tarcísio afirmou na visita desta quarta que o governo estadual interrompeu temporariamente outras obras semelhantes realizadas em conjunto pelas concessionárias.
"A gente tem mais de 30 obras dessa mesma natureza acontecendo nesse momento. Todas foram interrompidas para que a gente possa revisitar os protocolos e evitar novos acidentes."
O governador chegou à comunidade por volta das 15h30 e caminhou por ruas atingidas, incluindo a rua Piraúba, epicentro da explosão, onde conversou com moradores, visitou imóveis danificados e ouviu relatos de comerciantes e famílias desalojadas.
"A ideia da nossa visita aqui é ver no local o andamento dos trabalhos, conversar com as famílias e mostrar que o estado vai ampará-las. É tudo muito triste", afirmou.
Ao comentar o acidente, o governador disse que havia atuação conjunta entre Sabesp e Comgás durante a obra que antecedeu a explosão.
"Era uma obra para levar abastecimento de água, onde a gente tinha a atuação conjunta das duas companhias, a marcação para onde a furação tinha que passar e ainda assim nós tivemos esse problema", disse.
O governador afirmou que as investigações conduzidas pela Polícia Civil e pelo Instituto de Criminalística irão apontar as causas da explosão. "As sanções serão aplicadas. Nós vamos punir rigorosamente esse caso", reforçou.
Durante a visita, o governador detalhou as medidas oferecidas às famílias atingidas. De acordo com ele, 232 famílias receberam auxílio emergencial de R$ 5.000, valor que, conforme afirmou, não substitui as indenizações pelos danos materiais.
"Isso aqui não tem nada a ver com a indenização daquilo que foi perdido. Houve perda de eletrodomésticos, utensílios, mantimentos e tudo isso vai ser indenizado."
O governador afirmou que parte das casas atingidas já passa por reparos, mas confirmou que cinco imóveis precisarão ser demolidos devido aos danos estruturais, como a Defesa Civil havia informado na manhã desta quarta.
"Foram 105 vistorias realizadas. Temos casas com danos leves, outras com danos mais severos e cinco que vão precisar realmente ser demolidas."
Freitas afirmou que famílias que perderam as casas poderão escolher entre apartamentos da CDHU, carta de crédito para compra de imóveis ou reconstrução das moradias no próprio local.
"Quem vai escolher é a família. Se quiser permanecer aqui, a gente também vai oferecer essa possibilidade."
Ele acrescentou que os custos das moradias provisórias, apartamentos e reconstruções serão pagos pelas concessionárias.
O governador também comentou o caso do segurança Alex Sandro Fernandes Nunes, 49, morto durante a explosão, e do pintor Francisco Bondemba da Silva, 57, que segue internado em estado grave após ser arremessado para fora de casa.
"As companhias providenciaram o traslado do corpo para Minas Gerais e as passagens da família", afirmou sobre Alex Sandro. "E estamos acompanhando bastante de perto a situação do morador que está internado em Osasco."
Questionado sobre a privatização da Sabesp, concluída em 2024, Freitas afirmou que o governo seguirá atuando como regulador da companhia. "Não é porque somos acionistas que vamos deixar de fazer valer a regulação. A mão pesada vai atuar."
