SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Um dia após o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) anunciar a suspensão de mais de 30 obras após a explosão no Jaguaré, a Sabesp explicou nesta quinta-feira (14) que a paralisação atinge todas as intervenções realizadas em áreas com compartilhamento de redes subterrâneas entre concessionárias no estado de São Paulo.

A medida foi adotada após a explosão registrada na segunda-feira (11) durante uma obra da Sabesp em área com rede compartilhada da Comgás, no Jaguaré, na zona oeste da capital paulista. O acidente matou duas pessoas e deixou outros feridos.

A diretora de Relações Institucionais e Sustentabilidade da Sabesp, Samanta Souza, afirmou que cerca de 30 obras desse tipo acontecem diariamente nas cidades operadas pela companhia.

"A rede subterrânea de São Paulo é compartilhada com gás, telefonia, eletricidade. E tem um protocolo que a gente cumpre em conjunto para fazer as obras quando tem uma rede próxima da outra", disse.

Souza explicou que, antes das perfurações, concessionárias realizam um trabalho de compartilhamento de cadastros e marcação do solo para identificar a localização exata das redes subterrâneas.

"Nós fazemos um trabalho conjunto entre as concessionárias, seja de gás, de energia, telefone. Compatibilizamos os cadastros e fazemos a marcação do solo para garantir que esteja repetido no solo o que está no cadastro", afirmou.

De acordo com a executiva, a suspensão não envolve uma obra específica, mas todas as intervenções realizadas em locais onde há interferência entre redes subterrâneas de diferentes concessionárias.

"O que estão suspensos são os compartilhamentos de solo que acontecem diariamente", declarou.

Ela afirmou que obras em locais sem redes compartilhadas continuam normalmente.

"Essa rua aqui tem rede de gás. A rua de cima não tem. Onde tem compartilhamento de solo, está suspensa a execução. Onde não tem, nós continuamos a execução", disse.

As obras permanecerão paralisadas até a conclusão das investigações e revisão dos protocolos de segurança.

"Essa execução está suspensa até que sejam feitas todas as revisões, que se identifique a causa e seja feita toda a revisão do procedimento de segurança para que esse trabalho volte a acontecer", afirmou Souza.

Na quarta-feira (13), Tarcísio afirmou que "a mão pesada do Estado vai se fazer presente" e declarou que as concessionárias serão responsabilizadas pelo acidente.

O governador também disse que técnicos da Comgás estavam no local e que havia marcação prévia do trajeto da perfuração.

"Tinha técnico da Comgás aqui, havia marcação no terreno de onde o furo direcional devia passar e por alguma razão isso não foi feito da maneira correta", declarou.

A Polícia Civil e o Instituto de Criminalística investigam as causas da explosão.