RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - Após quase um mês preso preventivamente, Marlon Brendon Coelho Couto da Silva, o MC Poze do Rodo, deixou o Complexo de Gericinó, em Bangu, na zona oeste do Rio de Janeiro, nesta quinta-feira (14). A soltura ocorreu após decisão da Justiça Federal que concedeu habeas corpus e substituiu a prisão por medidas cautelares.
O cantor saiu do Presídio Joaquim Ferreira, anexo da Cadeia Pública Pedrolino Werling de Oliveira, conhecida como Bangu 8, acompanhado por advogados e escoltado por agentes da Secretaria de Administração Penitenciária.
Vestindo bermuda, camiseta branca e chinelos, Poze foi recebido por familiares, amigos e fãs na porta da unidade prisional. Na saída, negou envolvimento com organizações criminosas. "Não tenho ligação e nem envolvimento com nada. Não tenho envolvimento com facção", afirmou. Depois, deixou o local em um carro conversível.
Em nota divulgada nesta quinta, a defesa do cantor afirmou que a decisão reafirma que "a regra na democracia é a liberdade, e não o aprisionamento", e criticou o que classificou como "espetáculos midiáticos" durante a investigação.
Os advogados disseram que o Judiciário "preservou as garantias constitucionais" ao conceder a liberdade aos investigados.
A soltura foi determinada pela desembargadora Louise Filgueiras, do Tribunal Regional Federal da 3ª Região, em decisão assinada na quarta-feira (13). O entendimento seguiu posição já adotada pela 5ª Turma do tribunal em relação a outro investigado da Operação Narco Fluxo.
Poze estava preso desde 15 de abril, quando foi alvo de uma ação da Polícia Federal no Recreio dos Bandeirantes, na zona oeste do Rio. No mesmo dia, o funkeiro MC Ryan SP também foi preso em São Paulo.
A Operação Narco Fluxo apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro ligado a rifas digitais e apostas online, que, segundo os investigadores, teria movimentado mais de R$ 1,6 bilhão. Conforme a investigação, Poze aparece vinculado a empresas usadas na movimentação financeira suspeita.
Além de Poze e Ryan, a decisão também beneficiou outros investigados, entre eles os influenciadores Chrys Dias, Débora Paixão e Diogo 305, além de Raphael Sousa Oliveira e do empresário Rodrigo de Paula Morgado.
Na decisão, a magistrada considerou desproporcional a manutenção das prisões preventivas diante da demora para o oferecimento de denúncia formal pelo Ministério Público.
Segundo ela, as medidas cautelares seriam suficientes para garantir o andamento das investigações "preservando o princípio da presunção de inocência enquanto as perícias tecnológicas prosseguem".
Entre as medidas impostas estão a entrega do passaporte, a proibição de deixar o país sem autorização judicial, a obrigação de informar endereço atualizado à Justiça e comparecimento mensal em juízo.
Os investigados também não poderão deixar suas cidades de residência por mais de cinco dias sem autorização.
