SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A greve dos estudantes das universidades estaduais paulistas segue crescendo. Já consolidado na USP (Universidade de São Paulo), o movimento alcança cada vez mais cursos na Unesp (Universidade Estadual Paulista) e na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas).
Os graduandos cobram mais orçamento para a educação pública, contratação de docentes e servidores e incremento nas políticas de permanência, com auxílios em valores mais altos e melhores condições de moradia.
Na Unesp -a mais capilarizada das instituições, com unidades em 24 cidades--, há 6 campi em greve, totalizando 42 cursos paralisados. O Instituto de Artes, na capital, está ocupado por alunos.
A instituição oferta 136 carreiras. Assim, 30% delas estão sem aulas.
Na terça-feira (12), o campus de Araraquara, que oferece cursos de graduação em administração pública, ciências econômicas, ciências sociais, letras, pedagogia e engenharias, teve uma assembleia com mais de 1.000 presentes.
Desse total, 833 votaram a favor da greve; 72, contra; e 50 se abstiveram. Mais assembleias ocorrem ainda nesta semana.
Na Unicamp, a unidade em Limeira está totalmente paralisada. Ela tem duas faculdades: a de Ciências Aplicadas e a de Tecnologia, oferecendo 12 cursos focados em gestão, engenharias, saúde e tecnologia.
O boicote a aulas já alcança também vários cursos em Campinas. O Instituto de Economia aderiu, assim como o de Artes, com graduações em cênicas, visuais, dança, música e midialogia.
Também pararam os cursos de fonoaudiologia, arquitetura e urbanismo e engenharia mecânica. Outras assembleias acontecem nos próximos dias.
A Unicamp oferece, juntando seus dois campi, 65 carreiras. Estão em greve 21, ou seja, 32%.
O que dizem as reitorias
Em nota, a reitoria da Unesp, comandada por Maysa Furlan, diz que em 2025 a Coordenadoria de Permanência Estudantil atendeu 7.746 estudantes de graduação com algum tipo de auxílio. Isso representa mais de 20% do total de matriculados, um recorde.
A dotação orçamentária para permanência em 2026 é de R$ 110,7 milhões, também recorde da rubrica. A universidade afirma que 17 unidades já têm ao menos um restaurante e outro deve ser inaugurado ainda este ano.
A gestão reconhece, porém, que a pressão crescente por inclusão social exige esforços contínuos. "O financiamento público das universidades estaduais paulistas tem de ser prioridade para todos que reconhecem a liderança de São Paulo na pesquisa científica e tecnológica nacional", diz a nota.
Já a reitoria da Unicamp, comandada por Paulo Cesar Montagner, diz respeitar os princípios fundamentais da democracia e do debate institucional e afirma que "as atividades essenciais da universidade transcorrem normalmente".
A gestão afirma que permanecerá empenhada no processo de negociação, buscando garantir o melhor desfecho.
Movimento começou na USP e ganhou força após ação da polícia
A mobilização dos estudantes das universidades estaduais de São Paulo teve início em 14 de abril, na USP, e ganhou o apoio das demais instituições.
A greve foi impulsionada pelo apoio dos estudantes à paralisação dos servidores, que protestavam contra uma gratificação mensal de R$ 4.500 concedida aos docentes sem contrapartida equivalente para as demais categorias.
Os trabalhadores encerraram o movimento após acordo com a reitoria, mas os discentes seguiram mobilizados.
Os alunos pedem melhores condições de permanência, com aumento no valor das bolsas integrais do Programa de Apoio à Formação e Permanência Estudantil (Papfe) de R$ 885 para cerca de R$ 1.804 (salário mínimo paulista), e investimento na qualidade dos serviços oferecidos nos restaurantes universitários.
Após a reitoria se negar a seguir negociando as demandas, os grevistas invadiram o prédio da administração e foram retirados pela Polícia Militar no domingo (11), após três dias. Na ação, de madrugada, cerca de 50 agentes realizaram uma operação para retirar 150 alunos do saguão do prédio administrativo. Cinco alunos foram hospitalizados, e quatro, detidos.
A reitoria oferece o reajuste dos auxílios pelo índice IPC-Fipe. Com a correção, o auxílio integral passaria de R$ 885 para R$ 912 por mês. A modalidade parcial com moradia subiria de R$ 330 para R$ 340.
O programa atende 17.587 estudantes de graduação e pós-graduação em situação de vulnerabilidade socioeconômica. O orçamento de 2026 para assistência estudantil -incluindo bolsas, moradia, restaurantes e saúde- é de R$ 461 milhões.
Após a ação policial, a reitoria da USP resolveu criar uma comissão para reabrir as negociações com seus matriculados.
Os estudantes das três estaduais marcaram uma marcha para a próxima quarta-feira (20), rumo ao Palácio dos Bandeirantes, sede do governo do estado.
