SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O PT de Porto Alegre e a bancada parlamentar do partido na Câmara Municipal vão pedir a punição do vereador Mauro Pinheiro (PP) após ele arrancar o microfone da vereadora Juliana de Souza (PT) enquanto ela fazia um aparte, em sessão realizada na quarta-feira (13).

No momento, a líder da bancada do PT respondia críticas da vereadora Nadia Gerhardt (PL) à esquerda e citou a gravação que mostra Flávio Bolsonaro (PL-RJ), pré-candidato à Presidência, chamando o ex-banqueiro Daniel Vorcaro de "meu irmão" e pedindo dinheiro para financiar um filme sobre seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

O ato foi definido pelos petistas como violência de gênero e repudiado em uma nota pública. O partido decidiu pedir a punição na Comissão de Ética da Câmara de Porto Alegre e também a abertura de uma investigação na Delegacia da Mulher, além de estudar medidas jurídicas para proteger a parlamentar e os demais integrantes da bancada.

"Vindo pelas costas, o vereador censurou manifestação regimental com violência, retirando o microfone pelo qual nossa vereadora se manifestava proferindo palavras misóginas e de baixo calão, incompatíveis com o decoro parlamentar e a democracia", diz a nota do PT.

No vídeo, é possível ouvir a repreensão do presidente da Câmara, Moisés Barbosa (PSDB), a Pinheiro. "Calma, calma. O que é isso, vereador Mauro? Tirar o microfone não", diz.

A atitude provocou confusão entre os parlamentares e o presidente pediu calma várias vezes. Depois, suspendeu a sessão legislativa.

"Vou até às últimas consequências porque violência de gênero é crime no Brasil", afirmou a Juliana logo após o ocorrido.

Em um vídeo-resposta, o parlamentar do PP afirmou que sua atitude está relacionada à condução regimental da sessão da Câmara. Segundo ele, não havia possibilidade de aparte no momento em que sua colega de plenário ocupava o microfone.

No quinto mandato, ele já foi presidente do Legislativo municipal e disse que sempre defendeu o respeito entre os parlamentares e o debate público responsável.

"O debate legislativo exige respeito ao tempo de fala, ao momento adequado de manifestação e aos procedimentos previstos no regimento interno da Câmara".

Pinheiro negou ter cometido violência de gênero ou ter tido a intenção de desrespeitar a vereadora. "Meu compromisso segue sendo o mesmo: respeitar as pessoas, o debate legislativo, as instituições e defender o correto funcionamento da Câmara de Porto Alegre", concluiu.