SÃO PAULO, SP oFOLHAPRESS) - A Sabesp anunciou nesta sexta-feira (15) a suspensão, por 15 dias, das atividades de perfuração com interferência direta na rede de gás em todos os espaços públicos de sua área de concessão.

A medida, diz a empresa, amplia a abrangência de decisão anterior que paralisava as intervenções realizadas por "método não destrutivo" nas áreas com compartilhamento de redes subterrâneas entre concessionárias no estado de São Paulo. Após a conclusão dessa etapa, as atividades devem ser retomadas normalmente, informou.

A concessionária não detalhou quantos trabalhos serão atingidos, mas declarou que há mais de 1.100 canteiros de obras em sua área de concessão.

Na quinta (14), equipes da Sabesp romperam uma tubulação da Comgás, na região de Iatquera, zona leste da capital, causando vazamento de gás -três dias após a explosão no bairro Jaguaré, zona oeste, que causou a morte de dois homens e destruição de diversos imóveis.

"A medida tem como objetivo revisar documentações, procedimentos técnicos e autorizações relacionadas às intervenções, reforçando as condições operacionais e garantindo a execução dos serviços em total conformidade técnica", diz o comunicado.

"A medida tem caráter preventivo e visa revisar procedimentos operacionais, protocolos de segurança e fluxos de atuação adotados nas obras executadas pela Sabesp, além da elaboração de um plano adicional de melhorias e reforço da segurança operacional."

A Sabesp acrescenta que, caso haja necessidade de alteração do prazo inicialmente estabelecido ou definição de novas orientações, emitirá um novo comunicado oficial.

Relembre o caso

A explosão ocorreu segunda (11) durante uma obra realizada pela Sabesp em uma área com rede compartilhada da Comgás, no bairro do Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, e atingiu 46 casas, destruindo totalmente algumas delas.

O pintor autônomo Francisco Bondemba da Silva, 57, conhecido como Bodenga, morreu na quinta após ter sido internado em estado grave desde o ocorrido. O acidente já havia causado a morte do segurança Alex Sandro Fernandes Nunes, 49, enterrado na quarta, no interior de Minas Gerais.

Além das duas mortes, outras vítimas ficaram feridas. Um funcionário terceirizado da Sabesp passou por cirurgia após sofrer traumatismo craniano e outro morador recebeu alta nos dias seguintes ao acidente.

Após a explosão, o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) afirmou que vai responsabilizar as concessionárias e declarou que "a mão pesada do Estado vai se fazer presente".

A Polícia Civil e o Instituto de Criminalística investigam as causas da explosão. A Sabesp suspendeu temporariamente obras com compartilhamento de solo entre concessionárias após o acidente.