RIO DE JANEIRO, RJ (FOLHAPRESS) - O influenciador digital Felipe Neto, 38, disse neste sábado (16) que passou a defender o banimento da "timeline infinita", recurso que faz com que redes sociais nunca parem de exibir conteúdo à medida que o usuário desce a barra de rolagem das telas.

Neto afirmou que esse recurso tecnológico é viciante e que, associado a algoritmos que levam à exibição de conteúdo nocivo e radical, causa "graves problemas na saúde mental" em jovens. O influenciador afirma que não vê qualquer outra solução que não envolva proibir redes sociais de exibir conteúdo dessa forma.

"A timeline infinita precisa acabar", disse Neto durante o festival LED, um evento de educação do Grupo Globo no Rio de Janeiro. "Não sou um proibicionista, mas eu sou a favor do banimento. Não tem outra saída."

Desde 2024 o Instituto Felipe Neto, ONG criada pelo influenciador, debate formas de promover saúde mental e cidadania digital para as crianças e os adolescentes de escolas públicas.

Em março, com a publicação de um decreto do Ministério da Justiça e da Segurança Pública para regulamentar o ECA Digital, há a previsão de que redes sociais que operam no Brasil sejam obrigadas a abandonar o uso de recursos que possam prender a atenção de crianças e adolescentes. A rolagem infinita de feed sem pausas naturais e a reprodução automática de vídeos está entre esses recursos.

O texto ainda proíbe todos os tipos de técnicas que explorem fragilidades emocionais ou cognitivas dos jovens, criando falso senso de urgência e usando pressão emocional ou gatilhos de recompensa para mantê-los online. Nessa linha, ele veta o disparo de notificações com o intuito de levar usuários de volta aos aplicativos.

A implementação desses regras, porém, será escalonada e pode demorar, já que a ANPD (Agência Nacional de Proteção de Dados) precisa expedir diretrizes a partir do decreto. Caberá à agência, por exemplo, definir quando a proibição da rolagem infinita e da reprodução automática de vídeos entra em vigor.

"Produzir conteúdo curto, produzir conteúdo de maneira geral não é o que vai ser o problema, mas o uso algorítmico desse conteúdo para viciar, prender [atenção] e radicalizar pessoas é que é o grande problema", disse Felipe Neto, neste sábado. "Venho travando essa batalha contra isso já há alguns anos."

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