SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - A defesa do executivo chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, detido no Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo, suspeito de fazer comentários racistas e homofóbicos contra um comissário de bordo em um voo da Latam no último dia 10, pediu à Justiça Federal que ele passe por uma avaliação clínica e mental.
O advogado criminalista Carlos Kauffmann, que o representa, diz que Germán passa por tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, tem histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada.
A defesa afirmou que essas informações médicas foram informadas oficialmente à Justiça para comprovar que o chileno necessita de acompanhamento e avaliação especializada, independentemente da manutenção da prisão.
Germán, diz a defesa, não sabe o que aconteceu.
"Não tem noção do que houve. Está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido, dizendo que essa conduta é incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional", traz trecho da nota.
OFENSAS RACISTAS E HOMOFÓBICAS OCORRERAM EM VOO
O caso ocorreu em um voo que seguia para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de "preto" e "macaco" e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha "cheiro de negro brasileiro" e que ser gay "é um problema" para ele.
Maldini teria iniciado as agressões após tentar abrir a porta do avião e ser impedido pela tripulação. O comportamento agressivo do chileno a bordo do voo foi gravado por um passageiro.
O comissário de bordo comunicou a Polícia Federal sobre as agressões, e foi instaurado um procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O executivo foi preso no dia 15, quando retornou da Alemanha.
Maldini passou por audiência de custódia e o juiz manteve sua prisão preventiva. Ele foi encaminhado ao CDP (Centro de Detenção Provisória) de Guarulhos.
Ele atuava como gerente de uma empresa chilena de alimentos e biotecnologia marinha, a Landes. Na sexta-feira (15), a empresa informou que ele seria afastado "formal e preventivamente" de suas funções.
A Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) aprovou, em março, uma resolução que endurece a punição para passageiros que causarem transtornos em voos nacionais. A nova regra entrará em vigor em 14 de setembro, com punições que vão do pagamento de multa de até R$ 17,5 mil ao banimento do passageiro autuado dos aeroportos do país por 12 meses.
Em nota, a Latam Airlines disse que repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia.
