SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A médica Margaret Connolly, irmã da presidente da Irlanda, Catherine Connolly, está entre os detidos na nova flotilha com ajuda humanitária para Gaza, segundo a organização Freedom Flotilla Coalition e o governo irlandês.
Irmã da presidente é uma dos seis irlandeses detidos por Israel nesta segunda-feira (18), segundo a organização. Ao todo, 15 pessoas naturais da Irlanda embarcaram na flotilha que saiu da Turquia e foi interceptada por Israel em águas internacionais, perto do Chipre.
Em vídeo divulgado antes da detenção, Margaret Connolly disse que se juntou à flotilha para tentar abrir um corredor humanitário. "Tenho muito orgulho de participar desta flotilha. Esta é a maior até agora, e agora navegamos para Gaza para abrir um caminho humanitário para levar a ajuda e os suprimentos médicos tão necessários ao povo de Gaza", disse.
Presidente da Irlanda falou sobre o assunto e disse que está "muito preocupada" com a irmã. Ela deu a declaração sobre o assunto nesta segunda-feira (18), durante visita de três dias à Inglaterra. Connolly falou, ainda, que a detenção dos ativistas foi um episódio "bastante perturbador".
Autoridades da Irlanda criticaram a detenção dos cidadãos. O vice-primeiro-ministro, Simon Harris, falou especificamente sobre a situação da presidente. "Meu coração está com a presidente Connolly e sua família e, na verdade, com todas as famílias dos detidos. O que Israel fez é, na minha visão, ilegal", disse Harris à BBC.
O primeiro-ministro irlandês, Micheál Martin, disse que a ação foi errada e prometeu levar o tema à União Europeia. "Em primeiro lugar, o que aconteceu é absolutamente inaceitável e é errado", afirmou Martin, também à BBC.
Do lado israelense, Benjamin Netanyahu afirmou que a operação buscou impedir a quebra do bloqueio imposto ao Hamas em Gaza. Ele chamou a ação de um "plano malicioso projetado para quebrar o isolamento que impusemos aos terroristas" na região.
Navegações interceptadas
Israel interceptou embarcações de uma flotilha rumo a Gaza e deteve participantes nesta segunda-feira (18). Ao menos 10 barcos de um comboio com 60 embarcações foram abordados em águas internacionais na manhã de segunda-feira.
A flotilha afirma que transportava itens como comida, fórmula infantil e suprimentos médicos, enquanto Israel contesta a versão. A Sky News diz que o Ministério das Relações Exteriores de Israel classificou a flotilha como "provocação" e alegou que não havia ajuda a bordo.
A flotilha descreve condições "terríveis" e diz que a maior parte dos 2,1 milhões de moradores de Gaza está deslocada. O isolamento acontece apesar do cessar-fogo acertado por Israel e Hamas em outubro do ano passado.
Israel sustenta que há grande volume de ajuda entrando em Gaza nos últimos meses. Segundo a BBC, o Ministério das Relações Exteriores israelense afirmou que Gaza estaria "inundada de ajuda" e que mais de 1,5 milhão de toneladas de itens e milhares de toneladas de suprimentos médicos entraram no território nos últimos sete meses.
A ONU, porém, disse na semana passada que muitas famílias seguem em abrigos improvisados e com serviços básicos limitados. O órgão citou superlotação em tendas e estruturas danificadas, além de problemas no acesso a água limpa e no manejo de lixo, com riscos à saúde pública.
A guerra em Gaza começou após o ataque liderado pelo Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro de 2023. Cerca de 1.200 pessoas morreram e 251 foram feitas reféns em Israel. A ofensiva israelense posterior matou mais de 72.770 pessoas, segundo o Ministério da Saúde de Gaza, controlado pelo Hamas.
