SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - A megaoperação da Receita Federal que fechou dois shoppings na região do Brás, no centro de São Paulo, não resultou em prisões e vai fiscalizar cerca de 2.000 lojas nas próximas duas semanas.
Estimativa é de que cerca de R$ 300 milhões em mercadorias sejam apreendidos ao longo da operação. Procurada pelo UOL, a Receita informou hoje que ainda não há um balanço consolidado do volume de mercadorias retidas ou do valor total envolvido.
Foram fechados temporariamente os shoppings 25 Brás e o Stunt. Os dois estabelecimentos juntos têm cerca de 2.000 lojas. O UOL não conseguiu contato com a administração das empresas. Os estabelecimentos permanecerão fechados até a conclusão dos trabalhos, o que está previsto para ocorrer daqui duas semanas.
Produtos falsificados foram apreendidos no primeiro dia de operação. A ação, batizada de Desvio de Rota, não resultou em prisões, mas, segundo a Receita, foram identificados produtos falsificados, como camisetas de clubes, artigos esportivos e calçados, além de cigarros eletrônicos e perfumes.
Operação ganhou mais força por causa do período de Copa do Mundo. Fernanda Avendanha, auditora da Receita, afirmou à TV Globo que as buscas serão, principalmente, por produtos ligados ao esporte em razão da proximidade do evento. "Mas também produtos proibidos, como cigarros eletrônicos, além de eletrônicos que entram no país de forma irregular".
Participam da ação 95 servidores do órgão. Em nota, a Receita Federal afirmou que a região do Brás é um dos principais polos de comércio de mercadorias irregulares, fruto de contrabando, descaminho e falsificação. "Além do aspecto fiscal, há também reflexos em outros crimes, como lavagem de dinheiro, corrupção, trabalho escravo e danos à saúde pública", diz o comunicado.
A Alobras (Associação dos Lojistas do Brás) informou que acompanha a operação. A entidade, no entanto, esclareceu que os shoppings interditados na ação não estão associados da Alobras. "Reafirmamos ainda que a associação não corrobora com práticas de pirataria ou comercialização irregular de produtos", diz comunicado.
"Os associados da Alobras são, predominantemente, fabricantes e revendedores de moda nacional, responsáveis pela distribuição de produtos brasileiros para diversas regiões do país e também para a América Latina, fortalecendo a cadeia produtiva, gerando empregos e impulsionando a economia nacional. A Alobras espera que a ação obtenha êxito no combate às irregularidades, contribuindo para a valorização da concorrência justa, da legalidade e do fortalecimento da moda nacional", disse Lauro Pimenta, vice-presidente da Alobras.
