SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O procurador-geral de Justiça de São Paulo, Paulo Sérgio da Costa, determinou ontem a reabertura da investigação sobre a morte do ambulante senegalês Ngange Mbaye, 34. Ele foi morto por um PM durante uma operação no Brás, região central de São Paulo, em abril de 2025.

O caso havia sido arquivado pela Justiça em fevereiro deste ano após pedido do Ministério Público. O promotor Lucas de Mello Schaefer, em sua manifestação, que o policial Paulo Junior Soares de Carvalho agiu em legítima defesa e fez "uso moderado dos meios necessários".

Paulo Sérgio da Costa designou promotor para analisar o caso. Dessa forma, poderá ser oferecida uma denúncia de homicídio contra o PM.

Ngange Mbaye, levou um tiro após a polícia tentar apreender sua mercadoria. Ele foi socorrido pelo Samu, mas morreu na Santa Casa de Misericórdia.

O comerciante estava trabalhando quando foi abordado pelos agentes. Durante a ação, o imigrante tentou agredir os agentes com uma barra de ferro após ser agredido, momento em que foi atingido por disparos de arma de fogo.

Imagens da cena de violência circularam em redes sociais mostrando o momento em que Mbaye foi baleado. O caso ocorreu na rua Joaquim Nabuco, no Brás, região de comércio movimentada na região central da capital.

Ngange Mbaye morava no Brasil desde 2012. Ele trabalhava no Brás há oito anos. Um amigo da vítima ouvido pelo UOL o descreveu como alguém querido, que ajudava outros comerciantes da região. "Era uma pessoa muito boa, mandava dinheiro para a família sempre, tinha filho. Eu morava com ele e sei como ele era bom. A gente precisa da justiça, a polícia não pode matar assim. Amigo da vítima", afirmou.

Movimentos negros denunciaram a morte de senegalês à OEA (Organização dos Estados Americanos). As organizações civis afirmaram que o governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e o então secretário de Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, são responsáveis pela letalidade policial. O ofício é assinado por entidades como Uneafro, MNU (Movimento Negro Unificado), Rede Amparar e do Sindicato das Advogadas e Advogados do Estado de São Paulo.

As organizações afirmam que a morte de Mbaye ocorreu em um contexto de repressão e violência das forças policiais de São Paulo. A violência policial, segundo o documento, atinge desproporcionalmente a população negra, pobre e periférica, além de impactar, como no último episódio, um imigrante.