SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - O executivo chileno Germán Andrés Naranjo Maldini, preso no Brasil após declarações racistas e homofóbicas contra um comissário de bordo, em um voo da Latam, foi demitido pela companhia chilena de pescados Landes.
A demissão foi informada em comunicado interno da empresa e confirmada pela assessoria da companhia à Folha de S.Paulo.
Questionado por mensagens na tarde desta quarta (20), o advogado Carlos Kauffmann, que representa Germán, não respondeu até a publicação deste texto.
Na terça-feira (19), o defensor afirmou, por meio de nota, que o executivo passa por tratamento psiquiátrico há mais de 13 anos, tem histórico de internações relacionadas à saúde mental e faz uso contínuo de medicação controlada.
Ele ainda disse que o Germán não sabe o que houve e "está extremamente triste, consternado, envergonhado com tudo isso, e pede desculpas públicas a todos os brasileiros, em especial, ao tripulante Bruno, que se sentiu ofendido".
No dia 15, a empresa fez declaração pública condenando o comportamento e anunciando a abertura de uma investigação interna. No dia seguinte, foi anunciado o afastamento do executivo.
Nesta terça-feira, a empresa decidiu pela demissão. Germán trabalhava na companhia desde 2016.
O caso ocorreu no dia 10, em um voo que seguia para Frankfurt, na Alemanha. Durante a viagem, o homem chamou um funcionário de "preto" e "macaco" e imitou o animal. Ele ainda disse que o comissário tinha "cheiro de negro brasileiro" e que ser gay "é um problema" para ele.
Maldini teria iniciado as agressões após tentar abrir a porta do avião e ser impedido pela tripulação. O comportamento agressivo do chileno a bordo do voo foi gravado por um passageiro.
O comissário de bordo comunicou a Polícia Federal sobre as agressões, e foi instaurado um procedimento investigativo que resultou na decretação da prisão preventiva do investigado pela Justiça Federal. O executivo foi preso no dia 15, quando retornou da Alemanha.
Em nota, a Latam Airlines disse que repudia veementemente qualquer prática discriminatória e violenta, incluindo crimes de racismo, xenofobia e homofobia.
Segundo sua defesa, Germán disse que essa conduta é "incompatível com a sua vida, com o seu histórico, e que jamais, jamais, poderia fazer algo nesse sentido de maneira consciente, de maneira intencional."
