SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Pelo terceiro ano consecutivo, Gavião Peixoto, no interior de São Paulo, aparece como a cidade com melhor qualidade de vida do Brasil, segundo o IPS Brasil 2026. O município alcançou nota 73,10 em uma escala de 0 a 100, que avalia indicadores sociais e ambientais em todos os 5.570 municípios do país.

O IPS (Índice de Progresso Social) mede a capacidade dos municípios de atender as necessidades básicas da população, além de promover bem-estar e oportunidades, a partir de 57 indicadores sociais e ambientais.

A liderança de Gavião Peixoto reforça uma tendência observada em todo o estado de São Paulo, que concentra boa parte das cidades mais bem colocadas do país. Entre os 20 municípios com maior IPS, dez estão no território paulista.

Segundo o coordenador do IPS Brasil, Beto Veríssimo, o estado apresenta um padrão de qualidade de vida mais homogêneo do que o restante do país.

"O que a gente constata é que São Paulo apresenta uma 'mancha azul' no mapa do IPS Brasil, ou seja, uma qualidade de vida elevada e amplamente distribuída pelo território. Diferente de outros estados, onde há apenas alguns clusters [aglomerados] de municípios com notas altas", afirmou à Folha.

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De acordo com Veríssimo, a combinação entre infraestrutura consolidada, oferta regionalizada de serviços públicos e integração entre cidades médias e pequenas ajuda a explicar o desempenho paulista.

"Mesmo municípios pequenos, como Gavião Peixoto, se beneficiam de estar próximos de centros maiores, como Araraquara. É como se o melhor cenário fosse morar em uma cidade pequena do interior paulista: você tem mais tranquilidade, menos congestionamento, melhor qualidade ambiental, mas continua com acesso relativamente próximo a hospitais de alta complexidade, educação e outros serviços."

A cidade no topo do ranking

Com pouco mais de 4 mil habitantes, Gavião Peixoto fica na região de Araraquara, no interior paulista e abriga uma importante unidade da Embraer, fator que ajuda a impulsionar renda, empregos qualificados e arrecadação local.

Segundo o IPS, o município se destaca em indicadores como cobertura vacinal, mortalidade infantil, saneamento, moradia, segurança pública, acesso à educação básica e conectividade.

"Gavião Peixoto reúne vários fatores positivos. É um município com PIB per capita muito elevado que consegue transformar isso em qualidade de vida", disse Veríssimo.

CURITIBA LIDERA ENTRE AS CAPITAIS

Entre as capitais, Curitiba lidera o ranking nacional, com 71,29 pontos, seguida por Brasília (70,73) e São Paulo (70,64). Na sequência aparecem Campo Grande (69,77) e Belo Horizonte (69,66).

Já os menores desempenhos entre as capitais foram registrados por Salvador (62,18), Maceió (61,96), Macapá (59,65) e Porto Velho (58,59).

A distância entre a capital mais bem colocada e a última supera 12 pontos.

O levantamento também evidencia diferenças regionais persistentes. O melhor desempenho entre os estados foi registrado pelo Distrito Federal, seguido por São Paulo e Santa Catarina.

Na outra ponta aparecem Acre, Maranhão e Pará.

Para Veríssimo, o mapa do IPS mostra um país dividido em diferentes níveis de progresso social.

"A gente tem quase que 'três Brasis'. Existe um Brasil mais azul, concentrado principalmente no Sudeste e no Sul; um Brasil intermediário no Nordeste e partes do Centro-Oeste; e um Brasil mais vermelho, concentrado na Amazônia, onde os indicadores ainda mostram níveis mais precários de qualidade de vida."

Segundo ele, riqueza econômica não garante, sozinha, melhores condições de vida.

"São Paulo consegue transformar melhor sua riqueza em qualidade de vida. Já o Rio de Janeiro tem muito PIB, mas a qualidade de vida não acompanha o mesmo desempenho."

O porta-voz do IPS também afirmou que cidades pequenas aparecem bem posicionadas porque fazem parte de redes regionais estruturadas.

"Você consegue viver em uma cidade menor, com menos estresse, trânsito mais fluido, mais segurança e qualidade ambiental, sem abrir mão de acesso à saúde, educação e infraestrutura."

O IPS Brasil 2026 também aponta melhora gradual da qualidade de vida no país ao longo dos últimos três anos, além de avanços em conectividade e acesso à internet. Apesar disso, o principal gargalo nacional continua sendo a dimensão de Oportunidades, ligada a inclusão social, igualdade e direitos.

"O Brasil tem avançado mais nas [categorias] Necessidades Humanas Básicas e nos Fundamentos do Bem-Estar, mas ainda enfrenta dificuldades em temas como inclusão social, direitos, tolerância e igualdade de oportunidades."

Questões relacionadas à violência de gênero, feminicídio e baixa participação feminina na política seguem impactando negativamente os indicadores nacionais.

Depois de Gavião Peixoto, completam as primeiras posições do ranking Jundiaí, Osvaldo Cruz, Pompéia e Curitiba. Na outra ponta aparecem Uiramutã, Jacareacanga, Alto Alegre e Portel, municípios localizados principalmente na Região Norte e marcados por dificuldades históricas de acesso a infraestrutura e serviços públicos.