SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O cacique Raoni Metuktire, 94, recebeu alta hospitalar na manhã desta quinta-feira (21) após ser internado no começo de maio em Sinop (MT).
Hospital Dois Pinheiros informou que Raoni deixou a unidade às 9h30, após evolução clínica considerada satisfatória. A equipe disse que ele saiu em condição estável e foi transportado de aeronave para um município próximo a Sinop, onde mora, acompanhado por um familiar.
Quadro respiratório e gastrointestinal melhorou ao longo da internação, segundo o hospital. O médico Túlio Emanuel Orathes Ponte, responsável pelo paciente, afirmou que o desconforto abdominal foi resolvido e que, no momento da alta, Raoni estava assintomático, sem febre e com boa aceitação alimentar.
O cacique deve manter acompanhamento clínico em casa, com orientações de monitoramento diário. Entre as recomendações estão seguir as medicações já prescritas, fazer fisioterapia respiratória contínua, ter acompanhamento nutricional e manter cuidados permanentes por causa das comorbidades e da idade.
Hospital também recomendou restrição de contato com pessoas com doenças infectocontagiosas e apoio de cuidadores em tempo integral. A unidade disse ainda que não são indicadas, por enquanto, viagens prolongadas com duração superior a três horas, por via terrestre ou aérea. Qualquer sinal de piora deve levar a uma avaliação imediata.
Liderança indígena sentiu dores abdominais no dia 7 de maio e foi a uma unidade de atendimento em Peixoto de Azevedo, sendo encaminhado para Sinop em seguida. Exames mostraram que as dores foram originadas de uma hérnia diafragmática traumática crônica, resultado de um acidente sofrido há mais de 20 anos. Por causa da idade avançada do cacique, os médicos optaram por um "tratamento conservador", sem procedimentos cirúrgicos,
O cacique fez uma cirurgia para colocar um marca-passo em 2022 e já precisou cancelar outros eventos por problemas de saúde. Em 2020, Raoni foi hospitalizado duas vezes, uma delas após contrair covid-19.
O homem é líder dos kayapó, um povo indígena nômade, e tem reconhecimento internacional. Reconhecido por seu grande disco labial - símbolo de um guerreiro disposto a morrer por sua terra - e seu cocar de penas amarelas, ele denuncia há mais de três décadas as ameaças contra os povos amazônicos por causa do desmatamento.
