SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Deflagrada nesta quinta-feira (21), a operação que levou à prisão a influenciadora e advogada Deolane Bezerra envolveu interlocução entre o Ministério Público de São Paulo, a Promotoria de Justiça da Itália e agentes da Interpol (Polícia Internacional).
Deolane estava na Itália e seria presa em território europeu. Acabou detida no Brasil porque voltou antes do que previam as autoridades brasileiras.
Seu nome, porém, já estava em uma lista de procurados da Interpol antes da deflagração da operação.
Trata-se, segundo o promotor Lincoln Gakiya, do MP-SP, de uma lista mantida em sigilo. A influenciadora só não foi presa antes porque autoridades brasileiras pediram à Interpol para que isso só viesse a ocorrer após a deflagração da operação no Brasil.
O objetivo, afirmou Gakiya, era evitar possíveis desencontros em razão da diferença de fuso ?a Itália está cinco horas à frente do horário de Brasília.
Gakiya está na Itália para uma série de reuniões bilaterais de promotores com a Interpol e com autoridades locais.
Ele deve se reunir com promotores do departamento antimáfia do país europeu para trocar informações sobre o PCC e o crime organizado na Itália e tinha a expectativa de participar da prisão de Deolane, caso ela tivesse de ser presa em território estrangeiro.
A influenciadora é suspeita de lavar dinheiro para o PCC e chegou a receber repasses de uma transportadora apontada como pivô do esquema mesmo sem registros de que tenha trabalhado para a empresa.
Autoridades acreditam que a relação entre ela e a transportadora seria o pontapé inicial para aprofundar o elo entre a influenciadora e o crime organizado. A polícia disse já ter detectado outras relações entre a influenciadora e a facção criminosa a partir da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Deolane, mas não deu mais detalhes.
As investigações descobriram também que Deolane chegou a abrir 35 empresas num mesmo endereço em Martinópolis, no interior de São Paulo, num local onde há uma casa popular ?não há informações sobre se a residência pertence ou não a ela.
O advogado Rogério Nunes, que defende Deolane, disse que, assim que se inteirar do caso, vai se manifestar.
Além de Deolane, foram presos Everton de Souza, apontado como operador financeiro da organização, e Paloma Camacho, sobrinha de Marcola, detida na Espanha.
Na casa de Everton, a polícia apreendeu uma caixa com o nome da influenciadora que continha dinheiro em espécie.
A polícia também cumpriu mandado de prisão contra Alejandro Herbas Camacho, irmão de Marcola, que está preso.
