SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - À frente da defesa de Marco Willians Herbas Camacho, o Marcola, o advogado Bruno Ferullo disse nesta quinta-feira (21) ser praticamente impossível que seu cliente comande o PCC (Primeiro Comando da Capital) de dentro do sistema penitenciário, como apontam autoridades.
Marcola está desde 2019 em uma prisão federal de segurança máxima em Brasília. Ele foi um dos alvos da operação desta quinta que mirou uma transportadora suspeita de lavar dinheiro para o PCC.
"Tudo o que você conversa é monitorado por áudio e vídeo. Essa conversa é, inclusive, monitorada de forma virtual pelo setor de inteligência", disse Ferullo.
O advogado defende também parentes de Camacho, apontado há mais de duas décadas como liderança do PCC, e disse que ainda não tomou conhecimento das suspeitas contra eles.
Quanto a Marcola, por sua vez, disse que seu cliente foi, a princípio, relacionado ao caso porque um bilhete encontrado no esgoto da penitenciária 2 de Presidente Venceslau fazia menção a "Narigudo", um dos codinomes de Marcola dentro da facção.
"Estão ligando esse vulgo [apelido] ao Marco", declarou. Ele deve se reunir com Marcola na próxima segunda-feira (25).
Em nota enviada à Folha de S.Paulo, Ferullo enfatizou que o cumprimento de medidas cautelares não implica presunção de culpabilidade. Por isso, ele pede que seu cliente tenha direito à presunção de inocência durante o processo.
"É fundamental deixar claro que estamos na fase de inquérito policial, que se apoia exclusivamente em 'indícios' e 'suspeitas', expressões que, no direito, têm peso probatório limitado e que se precisam ser submetidas ao contraditório antes de qualquer conclusão. É nessa fase que os fatos serão efetivamente apurados, com pleno exercício da ampla defesa", afirmou o defensor.
A operação desta quinta-feira envolveu seis mandados de prisão preventiva e o bloqueio e sequestro de bens e valores. Ao todo, pelo menos R$ 327 milhões foram atingidos pelas medidas.
O irmão de Marcola e a influenciadora Deolane Bezerra, que reúne milhões de seguidores nas redes sociais, também foram alvos das diligências.
Marcolinha já está preso. Deolane, por sua vez, foi detida ainda pela manhã em sua residência em Barueri, na Grande São Paulo.
As investigações apontam que ela seria uma espécie de caixa do PCC, e a polícia acredita que a relação entre ela e a transportadora, da qual recebeu repasses, seja o pontapé para aprofundar o elo entre Deolane e o crime organizado.
Autoridades afirmam já ter detectado outras relações entre ela e a facção criminosa, mas não deu mais detalhes.
