SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ao contrário das três semanas anteriores, que apresentaram uma queda de 0,6 ponto percentual, o nível das águas do sistema Cantareira caiu a metade (0,3) dessa marca nos últimos sete dias e chegou nesta quinta-feira (21) a 41% do seu volume total, segundo o mapa dos mananciais da Sabesp.
O volume de todo o SIM (Sistema Integrado Metropolitano), composto pelos sistemas Cantareira, Alto Tietê, Cotia, Guarapiranga, Rio Claro, Rio Grande e São Lourenço, no entanto, manteve a média e opera a 52,8% nesta quinta, após queda de 0,6 ponto percentual registrado desde o último dia 14.
De qualquer forma, os dois sistemas se mantêm no nível mais baixo desde a grande crise hídrica de 2014-2015.
A diminuição do ritmo de queda no Cantareira, que representa cerca de metade do volume de todo o SIM, pode ser creditada ao menor consumo de água pela população em tempo frio. Com a chegada de sucessivas frentes frias acompanhadas de massas de ar polar no estado de São Paulo, as temperaturas despencaram nos últimos dias.
Isso porque não houve chuva suficiente nesta semana para fazer diferença no nível dos reservatórios.
De acordo com o levantamento da Sabesp, responsável pelo abastecimento de água do estado, choveu apenas 40,6 mm neste mês de maio nos reservatórios que compõem o sistema Cantareira (Jaguari-Jacareí, Cachoeira, Atibainha e Paiva Castro), frente a uma média histórica de 72,6 mm.
A baixa dos níveis dos mananciais já era esperada, devido à chegada do período de estiagem no Sudeste, que vai do outono até o início da primavera, em setembro.
A situação do SIM e, principalmente, do Cantareira, poderia estar pior não fossem as ações tomadas pelos órgãos governamentais e pela Sabesp.
Desde a grande crise hídrica, a Sabesp tem realizado obras para aumentar a segurança hídrica da região, como a integração entre sistemas produtores, reforçando a capacidade de transferência de água entre regiões, modernizando redes e intensificando o combate a perdas.
Naquela época, essas ações não existiam, o que fez com que o sistema Cantareira operasse no volume morto, usando a água que fica abaixo dos tubos de captação da empresa. Essa porção de água, que precisa ser bombeada, teve que ser usada pela primeira vez na história.
Após a recuperação do sistema, a partir de 2016, a companhia passou a realizar as obras para evitar que crise igual voltasse a ocorrer. Não ocorreu, mas desde 2023 o nível tanto do SIM quanto do Cantareira têm baixado progressivamente, ligando o alerta nas autoridades.
A última ação para ajudar a manter os mananciais foi tomada em agosto do ano passado, quando a Arsesp (Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo) determinou a redução da pressão da água no encanamento da região metropolitana em dez horas, das 19h às 5h.
Mesmo com a melhora dos níveis dos reservatórios em março último, a agência decidiu manter a redução, uma vez que o volume não havia se recuperado totalmente e a estação seca estava pela frente.
A Sabesp informa que, de 27 de agosto até abril, foram economizados 138,73 bilhões de litros de água na região metropolitana de São Paulo, volume suficiente para garantir o abastecimento de 24,34 milhões de pessoas durante um mês.
