RECIFE, PE (FOLHAPRESS) - A Polícia Civil do Rio Grande do Norte prendeu nesta sexta-feira (22) dez suspeitos de integrar um núcleo de homicídios ligados à facção Sindicato do Crime durante a segunda fase da Operação "Lockout", .
Segundo a investigação, o grupo atuava na organização e execução de assassinatos de integrantes de facções rivais na região oeste potiguar.
Foram expedidos 18 mandados judiciais, sendo 11 de prisão preventiva e sete de busca e apreensão, cumpridos em Mossoró, Natal e Baraúna. Um dos alvos não foi localizado.
De acordo com o delegado Alex Wagner, diretor da Divisão de Polícia Civil do Oeste, os presos integravam uma célula da facção voltada especificamente para ataques contra grupos rivais.
"Quando o Comando Vermelho decide ter território no Rio Grande do Norte e rompe a aliança com o Sindicato, eles passam a tomar esses espaços. Este momento é o auge dessa disputa", explicou à Folha.
O Sindicato do Crime surgiu em 2013 após dissidências do PCC (Primeiro Comando da Capital) dentro do sistema prisional potiguar, onde ganhou força ao defender autonomia local e disputar o controle das cadeias e dos territórios urbanos do estado.
A facção ganhou projeção nacional após o massacre da Penitenciária de Alcaçuz, em 2017, e a onda de ataques a ônibus, prédios públicos e bases policiais registrada no estado em 2023.
Nesta semana, a sigla da facção apareceu em pichação na areia do Morro do Careca, cartão-postal de Natal.
Segundo o delegado, o Sindicato do Crime era aliado do Comando Vermelho até o início do ano passado, mas a facção carioca passou a tentar controlar os territórios.
A disputa, explica, começou na Grande Natal e avançou posteriormente para cidades da região oeste do estado, como Tibau, Grossos e Baraúna, até chegar a Mossoró.
Wagner afirmou também que integrantes do PCC, no bairro Malvinas, em Mossoró, passaram a se aliar localmente ao Sindicato do Crime após investidas do Comando Vermelho sobre áreas de influência da facção paulista.
A operação contou com apoio da Ficco/Mossoró (Força Integrada de Combate ao Crime Organizado) e de outras unidades da Polícia Civil do estado.
Somadas, as duas fases da Operação "Lockout", realizadas em dezembro de 2025 e maio deste ano, resultaram no cumprimento de 49 ordens judiciais, entre mandados de prisão preventiva e de busca e apreensão, segundo a Polícia Civil.
