SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Os moradores da comunidade Nossa Senhora das Virtudes 2, na região de Jaguaré, na zona oeste de São Paulo, iniciaram uma manifestação contra a Sabesp na tarde desta sexta-feira (22) por assistência a moradores desalojados e desabrigados pela explosão causada por um vazamento de gás que ocorreu no último dia 11 durante obras da concessionária de saneamento.
Até o momento da reportagem, após intervenção da Polícia Militar, os moradores estão em negociação com a Sabesp, a Comgás (Companhia de Gás de São Paulo) e outras entidades envolvidas.
Segundo a Polícia Militar, que acompanha o evento, os moradores colocaram fogo em móveis e outros objetos e os arremessaram na avenida Presidente Altino, bloqueando a passagem.
O advogado que representa os moradores afirma que muitos não têm um local para ficar devido aos danos nas casas e foram retirados do hotel onde estavam ficando com o auxílio de R$ 5.000 fornecido pelas empresas.
Em entrevista à TV Band, um dos moradores afirmou que precisa arcar com a lavagem de roupas e a compra de copos de água dentro do hotel. Segundo ele, enquanto a empresa bancava as principais refeições, os custos a mais tinham que sair do bolso dos moradores.
Em relação às queixas sobre casas danificadas, a Folha já havia mostrado na última quinta-feira (21) que os moradores reclamam de que os problemas estruturais passaram a se agravar nos dias seguintes ao acidente, mesmo após as primeiras avaliações técnicas realizadas na área.
Além da Polícia Militar o Corpo de Bombeiros e a CET (Companhia de Engenharia de Tráfego) também foram acionados para o protesto.
Em nota, a Sabesp comunicou que segue acompanhando os moradores junto à Comgás e "mantém equipes mobilizadas diariamente no local, com suporte social, psicológico e atendimento às famílias." A empresa afirma que a Comgás é responsável pela moradia dos desalojados.
"Até o momento, 779 famílias receberam auxílio emergencial de R$ 5.000. Ao todo, 300 imóveis foram vistoriados, com ações de limpeza, reparos emergenciais e reformas definitivas já executadas em parte das residências impactadas", diz a concessionária.
A reportagem tentou contato com a Comgás, que afirmou que "a empresa tem disponibilizado hospedagens na região com o suporte e pensão completa, e segue atendendo às necessidades individuais".
A explosão ocorreu na tarde do dia 11 de maio. Parte do sistema de gás encanado da Comgás na rua Piraúba foi perfurada durante uma obra da Sabesp. A explosão resultou em duas mortes: a de Alex Sandro Fernandes Nunes, 49, e a do pintor Francisco Bondemba da Silva, 57, conhecido pelos moradores como Bodenga. Além disso, segundo as lideranças locais, a estimativa é de 68 imóveis afetados.
O Ministério Público de São Paulo abriu, na última segunda-feira (18), um inquérito para averiguar se as medidas de apoio aos afetados estavam sendo seguidas.
